domingo, 29 de maio de 2016

Resistência a antimicrobianos e saúde única - o papel do Médico Veterinário




Recentemente foi isolada uma cepa multirresistente de Escherichia coli de uma paciente nos Estados Unidos - resistente a todos os princípios testados, inclusive à colistina, que não é um antimicrobiano novo porém é utilizado apenas em casos especiais - e aparentemente os genes de resistência a este antibiótico já estão se desenvolvendo e se espalhando. Com mais esta evidência, nos cabe alertar a todos os envolvidos na cadeia alimentar da urgente necessidade de usar racionalmente os antimicrobianos e cabe ao médico veterinário o primeiro passo nessa jornada.
 
http://www.oie.int/en/for-the-media/amr/

A Organização Mundial da Saúde, Organização Mundial de Saúde Animal e a Organização das Nações Unidas para a Alimentação e Agricultura se juntaram no conceito de saúde única e um dos principais tópicos abordados é o combate ao uso indiscriminado de antibióticos junto aos países membros da OMS-OIE-FAO - Nações Unidas. Não se trata apenas de mais um acordo internacional ou de mais uma formalidade ou norma a ser cumprida. É um movimento real e mais que necessário de alerta global para o uso racional de antimicrobianos e o risco de resistência microbiana aos princípios ativos ainda disponíveis. 

No Brasil as ações de conscientização ou de controle do uso de antimicrobianos estão aparentemente tímidas, principalmente no comércio veterinário. Apenas recentemente foi introduzida a obrigatoriedade do receituário duplo obrigatório para a aquisição de antimicrobianos em farmácia humana e observamos grandes esforços da Agência Nacional de Vigilância Sanitária através de programas como a Rede RM (Rede Nacional de Monitoramento da Resistência Microbiana em Serviços de Saúde) e o Educanvisa (Educação em Vigilância Sanitária), porém nas casas agropecuárias os antimicrobianos ainda podem ser adquiridos livremente. 

O primeiro "avanço" observado na área animal foi a instituição da "Comissão sobre Prevenção da Resistência aos Antimicrobianos em Animais - CPRA" pelo MAPA, publicada no Diário Oficial da União do último dia 24 de maio (PORTARIA Nº 45, DE 23 DE MAIO DE 2016). Conforme a Portaria, apenas comporão a Comissão membros do próprio Ministério e esta "poderá convidar servidores do MAPA, bem como especialistas vinculados a órgãos e entidades nacionais, públicos ou privados, e a organismos internacionais, cuja presença seja considerada necessária para o cumprimento do disposto nesta Portaria". Isso deixa claro que o avanço no controle e no abuso de antimicrobianos na área animal no Brasil não vai cessar tão cedo... Ponto para a indústria farmacêutica. Precisamos encontrar alguma maneira de pressionar o MAPA a parar de agir em prol da indústria e começar a agir em favor da saúde humana!

E você, o que vai fazer quanto a isso?



Links externos: 
Consenso sobre uso racional de antimicrobianos - ANVISA: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/cd08_03.pdf
Uso racional de medicamentos - Ministério da Saúde: http://bvsms.saude.gov.br/bvs/publicacoes/uso_racional_medicamentos_temas_selecionados.pdf
Projeto Educanvisa - ANVISA: http://portal.anvisa.gov.br/wps/content/Anvisa+Portal/Anvisa/Pos+-+Comercializacao+-+Pos+-+Uso/Fiscalizacao/Assunto+de+Interesse/Propaganda/Propaganda+antigo/Assunto+de+Interesse/Acoes+Educativas/Projeto+Educanvisa+Educacao+em+Vigilancia+Sanitaria

Antimicrobial resistance - WHO (publications): http://www.who.int/drugresistance/en/
2015 WHO Campaign: http://www.who.int/mediacentre/events/2015/world-antibiotic-awareness-week/waaw-toolkit.pdf
Antimicrobial resistance - OIE: http://www.oie.int/en/for-the-media/amr/
Antimicrobial resistance - FAO: http://www.fao.org/antimicrobial-resistance/en/ 
Antibiotic / Antimicrobial resistance - CDC: http://www.cdc.gov/drugresistance/

http://www.fao.org/3/a-i4296t.pdf




sábado, 5 de março de 2016

Microcefalia relacionada ao Zikavirus - atualização Brasil

[Extraído do Portal Saúde]

Saúde investiga 4.222 casos suspeitos de microcefalia no país

Estão sendo investigados todos os casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central, inclusive a possível relação com o vírus Zika e outras infecções congênitas

O Ministério da Saúde e os estados investigam 4.222 casos suspeitos de microcefalia em todo o país. Isso representa 71,5% dos casos notificados. O novo boletim divulgado nesta terça-feira (1º) aponta, também, que 1.046 notificações já foram descartadas e 641 confirmadas para microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita. Ao todo, 5.909 casos suspeitos de microcefalia foram registrados até 27 de fevereiro.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Surto de Síndrome de Guillain-Barré associada à infecção pelo vírus Zika na Polinésia Francesa: um estudo de caso-controle

Surto de Síndrome de Guillain-Barré associada à infecção pelo vírus Zika na Polinésia Francesa: um estudo de caso-controle - Van-Mai Cao-Lormeau e col.
Fonte: Lancet [29/02/2016] [editado] 

[Tradução livre]
Resumo
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Background
Entre outubro de 2013 e abril de 2014, a Polinésia Francesa apresentou o maior surto de vírus Zika já descrito até o momento. Durante o mesmo período, um aumento da síndrome de Guillain-Barré foi relatada, sugerindo uma possível associação entre o vírus Zika e síndrome de Guillain-Barré. Nosso objetivo foi avaliar o papel do vírus Zika e a infecção pelo vírus da dengue no desenvolvimento de síndrome de Guillain-Barré.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Sobre a especificidade dos vírus


Estes dias estava conversando com uma amiga veterinária e surgiu a seguinte questão: os vírus da Dengue e Zika são capazes de infectar cães e gatos e causar doença clínica? Bem, a resposta é “ainda não”. Por quê “ainda não”? Em poucas palavras, porque estes vírus não têm receptores para as células de cães e gatos e ainda não mutaram o suficiente para desenvolver a capacidade de se ligarem a receptores celulares destas espécies. Isso também não significa que mutarão. De qualquer maneira, a virologia molecular é uma “caixinha de surpresas” e, até o momento, não existe cão e gato com Dengue, Zika ou Chikungunya.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Emergência mundial para Zika

Alice Vitoria Gomes Bezerra, a 3-month-old Brazilian girl with microcephaly, is held by her father. In the last four months, authorities have recorded close to 4,000 cases in Brazil in which the mosquito-borne Zika virus may have led to microcephaly in infants. (Mario Tama/Getty Images) - Publicado no PresentNation
Está acontecendo neste momento a reunião do Comitê de Emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS) / World Health Organization (WHO) para decidir sobre a declaração de emergência mundial para Zika. Se a emergência mundial for declarada, isso significa que todos os países-membros da OMS deverão adotar esforços conjuntos e as recomendações da Organização para o enfrentamento da doença e o gerenciamento do risco de introdução. Isso me emociona muito, ainda mais sob os boatos infinitos de que as consequências neurológicas em fetos e recém-nascidos teriam vínculo com vacinas (??), e outras teorias mais sem sentido ainda.

[ATUALIZAÇÃO: SIM, FOI DECLARADA A EMERGÊNCIA MUNDIAL EM SAÚDE PÚBLICA PARA ZIKA!]

Ao meu ver, além do trabalho incansável dos médicos, infectologistas e cientistas, esta entrevista publicada no The Guardian em 28 de janeiro/2016 deixa bem claro que a situação não é uma "brincadeira vacinal":


Informações da OMS / WHO sobre Zika:

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