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sábado, 5 de março de 2016

Microcefalia relacionada ao Zikavirus - atualização Brasil

[Extraído do Portal Saúde]

Saúde investiga 4.222 casos suspeitos de microcefalia no país

Estão sendo investigados todos os casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central, inclusive a possível relação com o vírus Zika e outras infecções congênitas

O Ministério da Saúde e os estados investigam 4.222 casos suspeitos de microcefalia em todo o país. Isso representa 71,5% dos casos notificados. O novo boletim divulgado nesta terça-feira (1º) aponta, também, que 1.046 notificações já foram descartadas e 641 confirmadas para microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita. Ao todo, 5.909 casos suspeitos de microcefalia foram registrados até 27 de fevereiro.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Surto de Síndrome de Guillain-Barré associada à infecção pelo vírus Zika na Polinésia Francesa: um estudo de caso-controle

Surto de Síndrome de Guillain-Barré associada à infecção pelo vírus Zika na Polinésia Francesa: um estudo de caso-controle - Van-Mai Cao-Lormeau e col.
Fonte: Lancet [29/02/2016] [editado] 

[Tradução livre]
Resumo
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Background
Entre outubro de 2013 e abril de 2014, a Polinésia Francesa apresentou o maior surto de vírus Zika já descrito até o momento. Durante o mesmo período, um aumento da síndrome de Guillain-Barré foi relatada, sugerindo uma possível associação entre o vírus Zika e síndrome de Guillain-Barré. Nosso objetivo foi avaliar o papel do vírus Zika e a infecção pelo vírus da dengue no desenvolvimento de síndrome de Guillain-Barré.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Sobre a especificidade dos vírus


Estes dias estava conversando com uma amiga veterinária e surgiu a seguinte questão: os vírus da Dengue e Zika são capazes de infectar cães e gatos e causar doença clínica? Bem, a resposta é “ainda não”. Por quê “ainda não”? Em poucas palavras, porque estes vírus não têm receptores para as células de cães e gatos e ainda não mutaram o suficiente para desenvolver a capacidade de se ligarem a receptores celulares destas espécies. Isso também não significa que mutarão. De qualquer maneira, a virologia molecular é uma “caixinha de surpresas” e, até o momento, não existe cão e gato com Dengue, Zika ou Chikungunya.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Emergência mundial para Zika

Alice Vitoria Gomes Bezerra, a 3-month-old Brazilian girl with microcephaly, is held by her father. In the last four months, authorities have recorded close to 4,000 cases in Brazil in which the mosquito-borne Zika virus may have led to microcephaly in infants. (Mario Tama/Getty Images) - Publicado no PresentNation
Está acontecendo neste momento a reunião do Comitê de Emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS) / World Health Organization (WHO) para decidir sobre a declaração de emergência mundial para Zika. Se a emergência mundial for declarada, isso significa que todos os países-membros da OMS deverão adotar esforços conjuntos e as recomendações da Organização para o enfrentamento da doença e o gerenciamento do risco de introdução. Isso me emociona muito, ainda mais sob os boatos infinitos de que as consequências neurológicas em fetos e recém-nascidos teriam vínculo com vacinas (??), e outras teorias mais sem sentido ainda.

[ATUALIZAÇÃO: SIM, FOI DECLARADA A EMERGÊNCIA MUNDIAL EM SAÚDE PÚBLICA PARA ZIKA!]

Ao meu ver, além do trabalho incansável dos médicos, infectologistas e cientistas, esta entrevista publicada no The Guardian em 28 de janeiro/2016 deixa bem claro que a situação não é uma "brincadeira vacinal":


Informações da OMS / WHO sobre Zika:

domingo, 31 de janeiro de 2016

(NÃO MANTENHA) larvas de Aedes em casa

[Opinião]
Ok. Vamos falar sobre depósitos de ovos de Aedes. Sobre deixar o pote cheio de água só para ter um lindo berçário cheio de bebês-Aedes bem pertinho de você, ou sobre deixar para recolher a sujeira do seu quintal depois que as moscas fizerem a oviposição, pois é melhor que as larvas de mosca se desenvolvam lá no lixo, não é?
Amigos, por favor. Precisamos de clareza!!!!!!
Essa estratégia de ter "berçário de larvas" seria ótima se as pessoas já cuidassem de seus próprios quintais e se elas não tivessem mais nada o que fazer da vida, a não ser cuidar para ver se a fêmea de Aedes já depositou os ovinhos lá. A Páscoa está chegando mas esses ovinhos NÃO são de chocolate e a surpresa não será um brinquedo.
As pessoas NÃO cuidam de seus quintais. As pessoas NÃO fazem a lição de casa, NÃO deixam o agente de saúde entrar, NÃO se mexem. As pessoas reclamam do vizinho, reclamam do governo e reclamam que as contas estão caras - mas continuam devendo no comércio da esquina.
Quem trabalha com Aedes e controle de quaisquer vetores sabe o quão rápido estes se adaptam a novos ambientes ou desafios, e quem trabalha com extensão sabe que o problema do depósito de água é bem pior: tem alta densidade demográfica, péssimo saneamento (quanto tem!), baixo nível educacional, vive mal, come mal, mora mal e o salário é tão baixo quanto a capacidade da cidade em suprir a desigualdade social.
Convenhamos que o combate a vetores (Aedes, Lutzomyia e outros tantos...) vai muito além da questão "limpinho". Não é possível realizar controle de vetores (veja bem: CONTROLE) sem ações integradas, contínuas e coletivas. Este país é tropical, desigual e, infelizmente, preguiçoso demais. Não é só o cidadão, o poder público, o setor privado, os empregadores, as escolas públicas e privadas, as igrejas, os presidentes de bairro... o engajamento deveria ser 100%. Aí sim, poderíamos ter criadouros monitorados dentro de casa e ainda comparar os dados com os vizinhos. Imagina que bacana seria esse paper?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A emergência de uma das maiores epidemias do Brasil veiculada pelo Aedes e outros culicídeos: Zika vírus, Chikungunya e outras arboviroses


A emergência de uma das maiores epidemias do Brasil veiculada pelo Aedes e outros culicídeos: Zika vírus, Chikungunya e outras arboviroses

Profa. Juliana Arena Galhardo
Médica Veterinária
Zoonoses e Saúde Pública – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul


Infelizmente em nosso país as ações em saúde têm sido conduzidas “sob demanda”, ou seja, quando há emergências em saúde pública, ou quando há acordos assumidos principalmente com as organizações internacionais, como a Organização Mundial do Comércio, Organização Mundial de Saúde a Organização Mundial de Saúde Animal. Vivemos em um país de economia emergente e, apesar de estarmos em momento de séria crise político-econômica, esse status do Brasil em relação aos países membros da Organização das Nações Unidas nos torna economicamente mais ‘próximos’ dos países de clima temperado, que enfrentam sobretudo enfermidades crônicas não transmissíveis, mas no mundo real estamos em fase de transição epidemiológica, também sofrendo com as doenças crônicas não transmissíveis, porém em área tropical e altamente receptiva a doenças infecciosas e parasitárias. O fluxo de pessoas tem aumentado exponencialmente no mundo, sejam missões comerciais, turistas, atletas ou imigrantes, então cada indivíduo é um potencial “traficante” de doenças e, claramente, no Brasil não estamos preparados para detectar as novas ameaças pois não ‘conseguimos’ controlar as já endêmicas.
Já tarda a implantação de ações coordenadas para o enfrentamento de problemas de saúde[1] no Brasil, coordenadas em prol da sociedade brasileira e não em prol da ganância: interesses próprios, comerciais ou de bases partidárias. O direito à saúde é garantido pela Constituição Federal de 1988, ‘a saúde é um direito de todos e um dever do Estado...’, porém com a corresponsabilidade das pessoas, da família, das empresas e da sociedade (Lei Federal no 8.080 de 19 de setembro de 1990). Toda a sociedade brasileira DEVE ser esclarecida e DEVE se envolver diretamente nas questões pertinentes ao país, e assumir sim seu papel de protagonista para que quaisquer ações estabelecidas sejam realmente eficazes. Vivemos sob o regime de Estado Democrático de Direito porém, infelizmente, ainda sofremos as consequências da época da ditadura: o povo brasileiro permanece passivo, não envolvido, sem conhecimento e, portanto, sem capacidade de reivindicação e argumentação, como consequência direta da precarização da educação. Façamos então nosso papel de informar e propor / executar soluções.
Tristemente neste momento é mais que urgente a necessidade de ações “sob demanda”, transversais ou emergenciais, mas as ações longitudinais devem também ser coordenadas desde já para que o sistema de saúde tenha maior sensibilidade na detecção de casos e, consequentemente, ações de planejamento em saúde.


O PROBLEMA

Para enfrentar as arboviroses é necessário conhecer profundamente os “inimigos”, incluindo todos os aspectos epidemiológicos dos agentes, hospedeiros, ambiente e vetores, a fim de determinar os pontos-chave da epidemiologia das doenças para executar ações individuais e coletivas com o melhor custo-benefício para a sociedade.

Sobre as arboviroses

            Arboviroses são doenças causadas por vírus e transmitidas por artrópodes, portanto quem faz ativamente a transmissão do vírus é o vetor. O termo ‘arbovírus’ vem do inglês “vírus veiculados por artrópodes” - ARrthropod BOrne virus – e os artrópodes são uma Classe de animais que inclui insetos, crustáceos, aranhas, ácaros e outros, mas nem todos estão envolvidos nos ciclos de transmissão das arboviroses. Para os arbovírus abordados neste texto os principais artrópodes vetores são mosquitos.

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Nota Técnica sobre a vigilância da Febre Amarela no Brasil

Olá pessoal! Antes de mais nada, FELIZ 2013! E que este ano seja repleto de razões para comemorar!

Para iniciar os trabalhos, segue a Nota Técnica do Ministério da Saúde sobre a vigilancia de Febre Amarela: "Alerta aos serviços de saúde sobre a importância de intensificar a vigilância da
Febre Amarela Silvestre durante o período sazonal no Brasil."

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Vírus "Schmallenberg" na Europa - investigação epidemiológica

Schmallenberg, Alemanha
Disponível em: http://www.plz-postleitzahl.de/land.nordrhein-westfalen/schmallenberg/index.html
Com a quebra da moeda européia, a população sofre com desemprego, fome... e embargo econômico frente a exportações de carne também. O vírus Schmallenberg (SBV), descoberto em novembro de 2011 na cidade de Schmallenberg - Alemanha, pertence à família Bunyaviridae, gênero Orthobunyavirus, e é um arbovírus "primo" do Oropouche. Este vírus foi associado ao grupo dos "reprodutivos", levando a malformações fetais e natimortos. Acomete bovinos, ovinos e caprinos e já foi detectado, além da Alemanha, na Bélgica, Holanda, França, Luxemburgo, Itália, Espanha e Reino Unido.  

A figura abaixo foi publicada em 25/03/12 no blog Fire Earth, que faz o countdown para a "vingança da mãe natureza" - sensacionalismo puro - mas vale para ilustrar como está a situação epidemiológica, investigação e casos notificados (dados obtidos de fontes confiáveis).

Disponível em: http://feww.wordpress.com/2012/03/25/schmallenberg-virus-outbreak-update-march-25/


Em notícia veiculada pelo ProMED ontem (05/04/12 - íntegra abaixo), a boa notícia é que métodos de diagnóstico sorológico estão sendo desenvolvidos e um ELISA indireto acaba de "sair do forno" da agência francesa ANSES (Maisons-Alfort, France). Este ELISA utiliza como antígeno uma nucleoproteína viral recombinante do SBV, desenvolvida e produzida pela IDvet. O kit ainda está em fase de avaliação pelos laboratórios de referência europeus, mas pelos testes na França pareceu ser uma excelente alternativa para os inquéritos soroepidemiológicos, até o momento realizados através de virusneutralização e imunofluorescência indireta - técnicas que realmente tomam tempo para serem executadas. De acordo com a agência francesa, o ELISA apresentou especificidade de 99,75% e alta correlação com virusneutralização (98,9%). Outros kits estão em desenvolvimento, já que a urgência quanto à detecção dos portadores é grande - e há muito o que ser desvendado sobre a epidemiologia desta doença. E lá vamos nós, ao bom e velho "cross-sectional study"!!

Aguardemos outras novidades...

Outra coisa: NÃO FOI CONFIRMADO COMO ZOONOSE!!!! No panic, people (yet)!



Disponível em: http://www.toonpool.com/cartoons/Schmallenberg%20Virus_154575


Published Date: 2012-04-05 21:57:09
Subject: PRO/AH> Schmallenberg virus - Europe (33): serology
Archive Number: 20120405.1091807
SCHMALLENBERG VIRUS - EUROPE (33): SEROLOGY
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A ProMED-mail post
http://www.promedmail.org
ProMED-mail is a program of the
International Society for Infectious Diseases
http://www.isid.org
Date: Thu 5 Apr 2012 
From: Emmanuel Breard [edited]  
Schmallenberg virus (SBV) is a vector-transmitted orthobunyavirus related to the Shamonda and Akabane viruses. Initially reported in November 2011, it has since been detected in Germany, the Netherlands, Belgium, France, Luxembourg, Italy, the United Kingdom and Spain, where it has been associated with foetal congenital malformations and stillbirths in cattle, sheep, and goats. 
Serological testing is essential for disease surveillance and epidemiological studies. While antibodies can be detected by virus neutralization and immunofluorescence, these techniques are time-consuming, difficult to implement for large numbers of samples, and do not offer standardized result interpretation. 
This week, the animal health laboratory of the French agency ANSES (Maisons-Alfort, France), after a  collaborative study, has approved an indirect ELISA, based on a recombinant SBV nucleoprotein  antigen developed and produced by IDvet. This kit is currently being evaluated by other European national reference laboratories. External validation studies indicate excellent test specificity (99.75 percent, n=1179), and high correlation with other serological techniques (98.9 percent with respect to VNT), making this ELISA an efficient tool for epidemiological studies. 

Stephan Zientara, Emmanuel Breard, Corinne Sailleau Virology unit ANSES-INRA-ENVA, Animal Health Laboratory, 94703 Maisons-Alfort, France. -- Communicated by: Emmanuel Breard ANSES LNR FCO/EHD 94703 Maisons-Alfort 

[The above message, received from ANSES (the French Agency for Food, Environmental and Occupational Health & Safety, a public authority reporting to the Ministries of Health, Agriculture, 
the Environment, Labour and Consumer Affairs, founded in 2010), may become good news. ProMED-mail's normal policy is not to be engaged in reports dealing with commercial products; 
the current deviation from the policy is based upon the urgent need for such a test (as expressed by the OIE on 16 Feb 2012), and the kit is not endorsed by us. If/when certified for field use, such kits may facilitate the performance of animal mass-testing in the 8 infected countries and elsewhere to study the epidemiology of SBV as well as to support safe international trade. A validated serological test may allow an update of the recommendations endorsed by the OIE Scientific Commission for Animal Diseases on 16 Feb 2012 (see 20120217.1045067). Development of sero-tests for SBV has been undertaken by other laboratories as well. 
In this context, we would wish to convey to our subscribers the response of the Robert Koch Institute in Germany to our commentary in posting 20120402.1088492 concerning cross-sectional seroprevalence study in shepherds living in the epidemic area in Germany (North-Rhine Westphalia). Reportedly, the RKI developed an immunofluroscence test (IFAT) and a neutralisation test (NT) for SBV tests in humans. IFAT was performed initially and NT in case of borderline results. All blood samples tested negative for specific antibodies against SBV. In view of this clarification, our suggestion that human sera from  SBV-contact persons "will also undergo serological tests when the test becomes available," was, in fact, redundant. - Mod.AS]

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Interior de São Paulo em alerta: febre amarela

Notícia Via: Promed-Port <Promed-Port@promedmail.org>
Data: Terça-feira / Martes, 20 de dezembro / diciembre de 2011
Fonte: EPTV [19.12.2011]
<http://eptv.globo.com/araraquara/saude/NOT,3,7,384767,Estado+alerta+para+risco+de+febre+amarela+em+cidades+do+interior+Araraquara.aspx>

Estado alerta para risco de febre amarela em cidades do interior
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Araraquara, Franca e Ribeirão Preto estão entre as áreas prioritárias para a vacinação

A Secretaria de Estado da Saúde divulgou um alerta sobre a
necessidade da vacina contra a febre amarela em algumas regiões do interior de São Paulo. Araraquara está entre as áreas de risco. O aviso do governo estadual tem como foco as pessoas que viajarão de férias às localidades onde há possibilidade de infecção. Porém, quem vive nessas regiões deve ficar atento às orientações dos órgãos de saúde municipais.

Araraquara

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Apesar do alerta, não há motivo para pânico. Segundo Márcia Tereza Barbieri, responsável pelo grupo de Vigilância Epidemiológica de Araraquara, pois não há casos da doença registrados na região recentemente e, desde 2008, a vacinação é realizada regularmente em crianças a partir dos 9 meses de idade. Em Araraquara, a dose está disponível em todas as unidades de saúde, mas, devido ao curto prazo de validade, é aplicada uma ou duas vezes por semana. "O interessado deve ligar ou ir até o posto de saúde mais próximo de casa e verificar em quais dias da semana é aplicada a vacina", avisou Márcia. Quem se vacinou há menos de dez anos não precisa repetir a dose. No ano passado, foram aplicadas 775 vacinas por mês na cidade. Em 2009, a média mensal chegou a 818.

Outras cidades

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A vacina também é indicada para áreas ribeirinhas e de mata da região de Presidente Prudente, Presidente Venceslau, Araçatuba, Jales, São José do Rio Preto, Barretos, Franca, Ribeirão Preto, Bauru, Marília, Assis, Botucatu, Itapeva e parte da região de Sorocaba.

Também são áreas de risco Estados do Centro-Oeste e Norte, Distrito
Federal, Maranhão, Minas Gerais e parte de Bahia, Paraná, Piauí, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Doença

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A febre amarela é uma doença infecciosa viral aguda, transmitida por mosquitos e que pode levar à morte. Os sintomas são febre alta, calafrios, vômitos, dores no corpo, pele e olhos amarelados, sangramentos, fezes com cor de borra de café e diminuição da urina.

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Comunicado por Promed-Port
promed-port@promedmail.org


[Diversas (e não tão recentes) são as discussões vigentes sobre
tornar a vacinação contra febre amarela universal no estado de São Paulo. A favor, estão os casos (incluindo surtos) de febre amarela silvestre ocorridos nos últimos anos no estado, o risco (sempre iminente) de introdução através de casos importados, as elevadas taxas de infestação pelo Aedes..., ou seja, a reurbanização da doença. Contra, sobretudo, o risco da ocorrência de casos de eventos adversos graves (doença viscerotrópica e neurotrópica) e, menos provável (?), a falta de um quantitativo suficiente a ser utilizado de imediato para a vacinação de toda a população.

Enquanto isso, deve-se manter (e incrementar) a vigilância
epidemiológica na busca de casos suspeitos (incluindo-se através da vigilância em síndromes febris hemorrágicas), vigilância de epizootias em primatas não-humanos, enfatizar a necessidade de vacinação a viajantes que se deslocam para áreas endêmicas ... e reduzir a infestação pelo vetor.

Segundo a série histórica (1990 a 2010) de casos de febre amarela no
Brasil, no período analisado foram notificados 687 casos confirmados em todo país; no ano de 2010, foram apenas 2 casos no Brasil.  No estado de São Paulo, houve 32 casos entre 1990 e 2010, sendo 28 apenas em 2009; em 2010 não houve casos confirmados.

Para ter acesso completo aos dados, acesse:

Série histórica, Brasil, 1990-2010:
<http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/tabela_1_fa_2010.pdf
Surto de febre amarela, estado de São Paulo:
<ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/ZOO/Boletim_FASP171209.pdf>.

Para ter acesso último informe técnico sobre as recomendações de
vacinação contra febre amarela elaborado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, acesse:
<ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/ZOO/fa250210_recomendacao.pdf>

Para ter acesso ao mapa que aponta as áreas para as quais há a
recomendação de vacinação, acesse:
<http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/mapa_acrv_asrv_2010_2011_final.pdf>.
- Mod.rna]

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Doenças negligenciadas e pespectiva de vacina: leishmaniose, dengue e malária

A amiga Adriana Guercio postou no Facebook o link desta notícia - que tomei emprestado para o blog. Segue a matéria de Renato Grandelle publicada no extra.globo.com em 30 - 31/08/2011 (link aqui).

Malária, dengue e leishmaniose terão vacinas em até dez anos

Esquecidas pela indústria farmacêutica, mas capazes de fazer milhões de vitimas mundo afora, doenças como malária, dengue e leishmaniose podem ganhar vacinas em até dez anos. Este é o objetivo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas, que encerra hoje um seminário de três dias no Rio.

Três anos atrás, o órgão, que reúne pesquisadores da Fiocruz, UFRJ, USP e UFMG, assumiu como objetivo o estudo de mecanismos de defesa contra as chamadas doenças negligenciadas. Os trabalhos desenvolvidos desde então seguem avançados — alguns já fazem testes em primatas, última etapa antes de levar os experimentos para testes em humanos. Mas, para prosseguir os estudos pelos próximos dois anos, será necessário um financiamento de R$ 12,5 milhões do Governo Federal. "Só agora, com o desenvolvimento dos países em que essas doenças são comuns, o interesse de algumas companhias farmacêuticas aumentou" - explica Ricardo Gazzinelli, pesquisador do Centro de Pesquisas René Rachou. "Foi constatado, enfim, que existe um mercado".

A leishmaniose é a doença com resultados mais avançados. Desde 2008 está disponível uma vacina para cães - contaminados pelo mosquito-palha, o mesmo que, logo depois, infecta também o homem.
"O cão é o reservatório dos parasitas" - explica Ana Paula Fernandes, bióloga da Faculdade de Farmácia da UFMG. "Conduzimos uma série de estudos para comparar os antígenos, as substâncias que desencadeiam a produção de anticorpos, e um deles se destacou na produção de uma resposta imune". Para uso em humanos, a vacina teria de passar por adaptações. E a mudança é urgente. Até a década de 90, quase todos os casos ocorriam no Nordeste. Hoje, aquela região responde por apenas metade das ocorrências. A doença avançou para estados onde nunca havia sido registrada antes, como Minas Gerais, Goiás e Espírito Santo. "Está praticamente fora de controle" - diz Ana Paula. "Essa expansão deve-se à migração das famílias, que levam cães infectados, e à urbanização e ao desmatamento, que fazem o mosquito-palha multiplicar-se com ainda mais facilidade".

A doença causa febre prolongada e provoca anemia, tosse, diarreia e perda de peso. Cerca de 20 mil pessoas são infectadas anualmente pela leishmaniose no Brasil. Um número muito inferior ao da dengue - que, na epidemia de 2008, deixou mais de 1 milhão de vítimas. O desafio é produzir uma vacina que proteja dos quatro sorotipos virais, todos já em circulação no país. Um dos rumos estudados é a imunização combinada de vacinas de DNA e um vírus quimérico - formado por pedaços de mais de um vírus. No caso, daqueles responsáveis pela febre amarela e pela dengue. "No Brasil, já temos tradição na produção de febre amarela" - lembra Myrna Bonaldo, bióloga e pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz. "Estamos observando, nos primatas, como cada sorotipo se prolifera e se um deles é dominante".

Na malária, a diversidade de “raças” também é um desafio para os pesquisadores. Ou seja, uma vacina contra o Plasmodium vivax, que infecta até 400 milhões de pessoas anualmente no mundo, teria de abranger todas as cepas de parasitas descritas. Quatro proteínas estão sendo desenvolvidas e foram apontadas como possíveis candidatas a esta vacina universal. A doença, letal em muitos casos, provoca febre alta, dores de cabeça e hemorragias.

segunda-feira, 8 de agosto de 2011

Vírus do Nilo Ocidental no Brasil - Pantanal-MS e Cerrado-MT

[Recebido por e-mail do ProMED-Port; a notícia já me havia sido dada enquanto eu ainda estava em Sinop-MT, mas ainda não havia saído o trabalho publicado. Maiores informações:


VIRUS DO NILO OCIDENTAL, EQUINOS: BRASIL (NHECOLANDIA, MS)
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Uma mensagem / Una mensaje / de ProMED-mail <http://www.promedmail.org>
ProMED-mail e um programa da / es un programa de la International Society for
Infectious Diseases <http://www.isid.org>

Data: Segunda-feira / Lunes, 08 de agosto / Agosto de 2011

De: Promed-Port <Promed-Port@promedmail.org>
Fonte: Estadao [08.08.2011] http://www.estadao.com.br/noticias/impresso,virus-de-doenca-semelhante-a-dengue-e-identificado-pela-1-vez-no-brasil,755438,0.htm

Vírus de doença semelhante à dengue é identificado pela 1ª vez no Brasil


No Pantanal, cavalos tinham anticorpos para o vírus da febre do Nilo Ocidental, apontam pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz e da USP; forma mais grave da doença compromete o sistema nervoso central, mas ainda não há registro em humanos no País


Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC-Fiocruz) identificaram, pela primeira vez no País, o vírus da febre do Nilo Ocidental. A descoberta ocorreu no Pantanal: cinco cavalos possuíam anticorpos contra o vírus, prova de que já sofreram infecções.


Em 1999, a febre do Nilo Ocidental chegou à América, causando dezenas de mortes nos Estados Unidos. Houve vários casos nas imediações do Central Park, em Nova York. Desde então, vem descendo o continente. Na Colômbia, na Venezuela e na Argentina também foram diagnosticados casos em cavalos e aves.


Diversas espécies de mosquitos são capazes de transmitir o vírus. Pássaros e répteis - como crocodilos e aligatores - desenvolvem a doença e infectam os insetos. Mamíferos - como humanos e equinos - são hospedeiros finais: podem adoecer, mas não são capazes de infectar o mosquito e reiniciar o ciclo (mais informações nesta página).


Os pesquisadores do IOC investigaram amostras de sangue de 168 cavalos e 30 jacarés da região de Nhecolândia, em Mato Grosso do Sul. Também capturaram 1.204 mosquitos de 10 espécies diferentes. Análises bioquímicas procuraram identificar anticorpos contra o vírus nos répteis e equinos. Só cinco cavalos tiveram resultado positivo. Nenhum jacaré havia sido infectado. Os mosquitos investigados também não carregavam o vírus.


O veterinário Alex Pauvolid-Corrêa, principal autor do estudo, explica que não é possível saber ainda quais espécies de insetos poderiam servir como vetores eficazes da doença no País. Os cientistas já iniciaram um estudo mais abrangente, capturando uma amostra maior de mosquitos. "As análises dessas novas amostras estão em andamento", afirma Corrêa, que realiza seu doutorado no IOC e nos Centros para o Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês), nos Estados Unidos.


O artigo com a descoberta foi publicado na revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. O virologista Hermann Schatzmayr, que morreu no ano passado, participou do estudo. Ele teve papel fundamental na erradicação da varíola no País.


Em paralelo. O Laboratório de Virologia Clínica e Molecular do Instituto de Ciências Biomédicas da USP também procura indícios de atividade do vírus da febre do Nilo Ocidental no País.


A pesquisadora Tatiana Lopes Ometto iniciou um doutorado em 2008 cujo tema é o monitoramento do vírus em equinos e aves. E já obteve resultados semelhantes aos do grupo do IOC. "Analisamos 1.156 amostras de sangue - 678 de equinos e 478 de aves - obtidas em Nova Brasilândia (a 190 quilômetros de Cuiabá, em Mato Grosso)", recorda Tatiana. "Confirmamos a presença de anticorpos contra o vírus em quatro equinos."


Os animais eram nativos da região - uma zona de transição do Cerrado para o Pantanal. Portanto, não poderiam ser casos importados. O trabalho deve ser publicado até o fim do ano em uma revista científica internacional.


Gravidade. Muitas vezes, em humanos, a infecção é assintomática. Em outros casos, os sintomas são parecidos com os da dengue: febre, dores no corpo e náusea. Algumas pessoas, no entanto, evoluem para formas mais sérias da doença, com comprometimento do sistema nervoso central. Em 1996, uma epidemia na Romênia apresentou um número excepcionalmente grande de quadros graves. Dos 393 pacientes diagnosticados, 352 desenvolveram inflamação do cérebro. Cerca de 10% morreram.


PARA LEMBRAR


O vírus da febre do Nilo Ocidental só foi isolado em 1937, em Uganda. Uma pesquisa da Universidade do Estado do Colorado (EUA), no entanto, levanta a hipótese de que Alexandre Magno, rei da Macedônia, teria morrido de uma forma grave da doença, na Babilônia, em 323 a.C. Tinha 32 anos e agonizou duas semanas com febre. O historiador Plutarco relata que a morte do célebre conquistador foi precedida e acompanhada pela morte de corvos. Algo semelhante ao observado nos EUA durante a entrada do vírus no país.


Comentário (ProMED):

[A região do pantanal é pouso das aves migratorias. O vírus ja foi encontrado na Argentina (em cavalos) e é endêmico na América do Norte. Pássaros são os reservatórios naturais - era uma questão de tempo encontrar o vírus em algum ponto da rota das aves - ljs

P.S. - Nem os mais incautos chegam a confundir dengue com a febre do Nilo Ocidental, ainda que ambas sejam causadas por flavivirus]

domingo, 12 de junho de 2011

Vacina contra Dengue em Teste!

Notícia - na íntegra - publicada pelo Diário do Pará em 24/05/2011 (acesse aqui). 
Outras informações podem ser acessadas aqui (Blog Sanidade Animal) e aqui (Reuters América Latina).

A comunidade científica trabalha com a perspectiva de que em 2014 já estará disponível no mercado uma vacina com alto grau de eficácia para prevenção da dengue. Desenvolvido pelo laboratório francês Sanofi Pasteur, o produto já está na terceira e última fase de testes. A previsão dos pesquisadores é de que a vacina será capaz de oferecer resposta imunológica para os quatro diferentes tipos de vírus causadores da dengue hoje conhecidos.

A informação foi dada ontem pelo chefe do Departamento de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas do Instituto Evandro Chagas (IEC), Pedro Vasconcelos, durante o IV Simpósio Internacional sobre Arboviroses dos Trópicos e Febres Hemorrágicas Virais (FHV). O laboratório do IEC é o centro de referência nacional em arboviroses e, no plano internacional, é um dos centros colaboradores das organizações Mundial e Pan-americana de Saúde para referência e pesquisa nesse ramo da ciência médica.

De acordo com o pesquisador, a vacina foi administrada no seu estágio inicial, ou fase pré-clínica, em modelos animais, especialmente macacos e camundongos. Depois, em sequência, foi testada com sucesso em duas etapas, a primeira envolvendo um grupo muito pequeno, cerca de 50 pessoas, e a segunda com um número entre mil e dois mil voluntários.

A fase atual, segundo ele, deverá se estender até 2013 e envolve aproximadamente 40 mil pessoas. Os testes, acompanhados por profissionais vinculados a universidades e centros de pesquisa, são realizados no Brasil, México, Porto Rico, Nicarágua, Peru e Equador, no continente americano, e em cinco países asiáticos – Tailândia, Indonésia, Malásia, Vietnã e Cingapura. Pedro Vasconcelos, que até 2009 integrou o comitê assessor para avaliação da vacina contra dengue da Organização Mundial de Saúde, disse que o IEC não tem participado diretamente dos testes clínicos, mas colabora com o projeto oferecendo metodologia própria para testes de diagnóstico para avaliação.

De acordo com Pedro Vasconcelos, as equipes de pesquisadores envolvidas no projeto, no Brasil e no exterior, terão um prazo de dois anos para se certificar, até 2013, sobre o grau de eficácia da vacina. Isso se dará, conforme frisou, através do acompanhamento das pessoas vacinadas. Como elas estão em áreas de transmissão do vírus, bastará verificar se desenvolverão ou não a doença. Os cientistas também vão observar e avaliar, nesse período, a quantidade de anticorpos protetores mantida no organismo pelas pessoas submetidas aos testes com o novo produto.

HEMORRÁGICA

O chefe do laboratório de virologia do Instituto Evandro Chagas disse que muito raramente a dengue clássica evolui para óbito, sendo por isso considerada uma doença com baixíssimo índice de letalidade. O problema se agrava, porém, conforme frisou, quando a dengue evolui para a forma hemorrágica. Nestes casos, o índice de mortalidade fica entre 5% e 10%.

O pesquisador reconheceu que a ciência não tem até hoje conhecimento pleno sobre os mecanismos que levam à evolução da dengue para a sua forma mais grave. O que existe, segundo ele, são teorias e hipóteses científicas, algumas até polêmicas. Alguns pesquisadores, por exemplo, admitem a hipótese de que o problema possa ter alguma vinculação com o aparecimento de vírus mais patogênicos, enquanto que na maioria dos casos eles tenderiam a ser menos agressivos. Outra teoria com boa aceitação entre pesquisadores sugere que as infecções sequenciais tenderiam a deixar o indivíduo mais suscetível à forma mais grave da doença. (Diário do Pará)

domingo, 12 de dezembro de 2010

Virus Chicungunya no Brasil??

Ministério da Saúde passa a monitorar vírus asiático transmitido pelo Aedes

Do UOL Ciência e Saúde
Em São Paulo
A Secretaria de Vigilância em Saúde do Ministério da Saúde anunciou nesta quarta-feira (8/12) que o Programa Nacional de Controle da Dengue passará a monitorar  os registros da febre de Chikungunya – doença causada por vírus, que pode infectar humanos por meio da picada do mosquito transmissor da dengue, o Aedes aegypti, e também pelo Aedes albopictus.


Originária do Sudeste Asiático e de alguns países da costa Leste Africana, a doença é menos grave que a dengue e se caracteriza por febre alta e dores intensas nas articulações de mãos e pés. A doença só pode ser transmitida pela picada do mosquito infectado. Não há transmissão de uma pessoa para outra. 

O nome Chikungunya significa “aqueles que se dobram” e tem origem no swahili, um dos idiomas oficiais da Tanzânia, onde foi documentada a primeira epidemia da doença, entre 1952 e 1953. Refere-se à aparência curvada dos pacientes que foram atendidos nos serviços de saúde. 

No Brasil, os três primeiros casos, todos importados, foram identificados em 2010: dois homens que estiveram na Indonésia – um de 41 anos, do Rio de Janeiro, e outro de 55 anos, de São Paulo; e uma mulher de 25 anos, também de São Paulo, que esteve na Índia. Todos estão recuperados. Os casos foram informados à Organização Pan-Americana de Saúde (OPAS) e à Organização Mundial da Saúde (OMS). 

Um dos pacientes de São Paulo (homem de 55 anos) chegou ao Brasil depois do período de transmissão, que é de até cinco dias após o início dos sintomas. Durante esta fase, se o mosquito picar o doente, poderá se infectar e passará a ser capaz de transmitir o vírus a outras pessoas. Os outros dois pacientes chegaram ao país dentro desse período. Medidas de eliminação de focos do mosquito foram intensificadas nas áreas próximas à residência e ao local de atendimento de ambos. 

De acordo com Giovanini Coelho, coordenador do Programa Nacional de Controle da Dengue do Ministério da Saúde, até o momento, não existe transmissão autóctone do vírus no país – quando a pessoa se infecta dentro do território nacional. 

No último dia 6 de dezembro, técnicos do Ministério da Saúde reuniram-se com representantes das sociedades brasileiras de Medicina Tropical, Clínica Médica, Reumatologia, Pediatria e Geriatria para discutir as medidas que serão adotadas na rede de saúde para aprimorar a vigilância da doença.

Nas próximas semanas, deverá ser divulgado um guia de vigilância e manejo clínico de pacientes com suspeita de Chikungunya, em parceria com sociedades científicas e representantes das Secretarias Estaduais e Municipais de Saúde. 

Sintomas

Os principais sintomas de Chikungunya são febre acima de 39 graus, de início repentino, e dores intensas nas articulações de pés e mãos – dedos, tornozelos e pulsos. A suspeita aumenta se a pessoa que apresenta esses dois sintomas tiver histórico recente de viagem às áreas nas quais o vírus circula de forma contínua. Podem ocorrer, também, dor de cabeça, dores nos músculos e manchas vermelhas na pele.

Cerca de 30% dos casos não chegam a desenvolver sintomas. O vírus pode afetar pessoas de qualquer idade ou sexo, mas os sinais e sintomas tendem a ser mais intensos em crianças e idosos. Além disso, pessoas com doenças crônicas têm mais chance de desenvolver formas graves da doença. A pessoa que tem Chikungunya fica imune a uma nova infecção pelo vírus.
Diagnóstico
O vírus só é detectado em exames de laboratório, que podem ser realizados na rede pública de saúde. O laboratório de referência nacional é o Instituto Evandro Chagas, localizado em Belém (PA). 

No Brasil, a notificação de casos da doença é obrigatória e imediata (em até 24 horas), regulamentada pela portaria 2.472/2010. Qualquer estabelecimento de saúde, público ou privado, deve informar a ocorrência de casos suspeitos às Secretarias Municipais e Estaduais de Saúde, que notificam o Ministério.

Assim como na dengue, não há vacina nem tratamento específico para Chikungunya. São tratados os sintomas, com medicação para a febre (paracetamol) e as dores articulares (anti-inflamatórios). Se os sintomas surgirem, as pessoas devem procurar a unidade de saúde mais próxima imediatamente. Recomenda-se repouso absoluto ao paciente, que deve beber líquidos em abundância. E, fundamentalmente, as pessoas não devem tomar medicamentos por conta própria. A automedicação pode mascarar sintomas, dificultar o diagnóstico e agravar o quadro do paciente. 

Em geral, Chikungunya é de baixa gravidade e as mortes são raras. Em 2006, na Índia, 1,3 milhão de casos foi registrado, sem nenhuma morte reportada. As pessoas costumam se recuperar em até dez dias após o início dos sintomas. No entanto, dores e inchaços nas articulações podem perdurar por alguns meses. Nesses casos, é necessário acompanhamento médico.