São três volumes disponíveis. Volume 1 versa sobre biossegurança e boas práticas laboratoriais; conceitos e técnicas
básicas aplicadas em laboratório; microscopia da luz; animais de
laboratório e fundamentos em química experimental. O volume 2 aborda biologia celular e ultraestrutura; histologia; técnicas histológicas; técnicas citológicas e cultivo celular. Volume 4 traz conceitos em Imunologia, Virologia, Bacteriologia e Micologia.
Além desta série, há uma diversos de outros títulos disponíveis em Publicações - Livros. Títulos voltados para educação de saúde e em saúde, trabalho, iniciação coentífica e afins. Vale a pena explorar esta biblioteca!
Image of East Smithfield excavation copyright: Museum of London Archaeology; from http://blogs.nature.com/news/2011/10/black_death.html
Peste negra, "black death", peste bubônica... sinonímias para a doença causada pela boa (e velha) Yersinia pestis.
Utilizando a arcada dentária de quatro vítimas inglesas da peste negra, que assolou a Europa no século XIV (exterminou praticamente metade da população do oeste europeu em menos de 5 anos), cientistas conseguiram - pela primeira vez no mundo! - sequenciar 100% do genoma de uma bactéria tão "antiga" e degradada.
E parece que, de quase 700 anos pra cá, relativamente pouco mudou no DNA... Diferente do que se pensava, a Yersinia da idade média era pouco mais virulenta que a atual, sugerindo que os maus hábitos de higiene da população e fatores ambientais, como frio e umidade, favoreceram a ocorrência da epidemia de peste.
Atualmente Y. pestis acomete em torno de 2000 pessoas por ano, principalmente no continente africano - graças aos melhores hábitos de higiene, condições sanitárias e os "queridos"antibióticos, a peste bubônica não mais nos assola. Há que se considerar que o ambiente também mudou muito de lá pra cá, não é?!
Maiores informações:
Artigo publicado na Nature:A draft genome of Yersinia pestis from victims of the Black Death.Kirsten I. Bos, Verena J. Schuenemann, G. Brian Golding, Hernán A. Burbano, Nicholas Waglechner, Brian K. Coombes, Joseph B. McPhee, Sharon N. DeWitte, Matthias Meyer, Sarah Schmedes, James Wood, David J. D. Earn, D. Ann Herring, Peter Bauer, Hendrik N. Poinar & Johannes Krause. Nature (2011) Published online
O surto de aftosa foi confirmado em San Pedro, região central do Paraguai, a aproximadamente 150Km da fronteira com o Brasil. A propriedade-foco, com 800 animais, foi avaliada pelo Senacsa (Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal do Paraguai) e 13 animais tinham a doença. A partir do foco, a OIE já foi notificada e foram suspensas todas as movimentaçãoes de animais para o Brasil, as exportações de carne e o status de zona livre de aftosa. Todos os animais serão abatidos. Muito trabalho a ser feito pelo pessoal da Zona de Alta Vigilância!!!! Não quero dar aula prática de Febre Aftosa, heim!!!!!!
Mapa editado de Paraguay.com. Por isso, Brazil com "z".
Soube por fontes externas que a variante viral envolvida no surto foi a de morcego - Desmodus rotundus.
Considere que este morcego é hematófago, normalmente é responsável pela raiva em herbívoros e o habitat dele não é a área urbana... Isto significa que o morcego está vindo para a cidade e o risco de um surto de maior intensidade é iminente.
Solução para o problema: Vigilância!!!!!!! E muita, mas muita educação.
[Recebido por e-mail do ProMED-Port; a notícia já me havia sido dada enquanto eu ainda estava em Sinop-MT, mas ainda não havia saído o trabalho publicado. Maiores informações:
VIRUS DO NILO OCIDENTAL, EQUINOS: BRASIL (NHECOLANDIA, MS)
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Uma mensagem / Una mensaje / de ProMED-mail <http://www.promedmail.org>
ProMED-mail e um programa da / es un programa de la International Society for
Infectious Diseases <http://www.isid.org>
Vírus de doença semelhante à dengue é identificado pela 1ª vez no Brasil
No Pantanal, cavalos tinham anticorpos para o vírus da febre do Nilo Ocidental, apontam pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz e da USP; forma mais grave da doença compromete o sistema nervoso central, mas ainda não há registro em humanos no País
Pesquisadores do Instituto Oswaldo Cruz (IOC-Fiocruz) identificaram, pela primeira vez no País, o vírus da febre do Nilo Ocidental. A descoberta ocorreu no Pantanal: cinco cavalos possuíam anticorpos contra o vírus, prova de que já sofreram infecções.
Em 1999, a febre do Nilo Ocidental chegou à América, causando dezenas de mortes nos Estados Unidos. Houve vários casos nas imediações do Central Park, em Nova York. Desde então, vem descendo o continente. Na Colômbia, na Venezuela e na Argentina também foram diagnosticados casos em cavalos e aves.
Diversas espécies de mosquitos são capazes de transmitir o vírus. Pássaros e répteis - como crocodilos e aligatores - desenvolvem a doença e infectam os insetos. Mamíferos - como humanos e equinos - são hospedeiros finais: podem adoecer, mas não são capazes de infectar o mosquito e reiniciar o ciclo (mais informações nesta página).
Os pesquisadores do IOC investigaram amostras de sangue de 168 cavalos e 30 jacarés da região de Nhecolândia, em Mato Grosso do Sul. Também capturaram 1.204 mosquitos de 10 espécies diferentes. Análises bioquímicas procuraram identificar anticorpos contra o vírus nos répteis e equinos. Só cinco cavalos tiveram resultado positivo. Nenhum jacaré havia sido infectado. Os mosquitos investigados também não carregavam o vírus.
O veterinário Alex Pauvolid-Corrêa, principal autor do estudo, explica que não é possível saber ainda quais espécies de insetos poderiam servir como vetores eficazes da doença no País. Os cientistas já iniciaram um estudo mais abrangente, capturando uma amostra maior de mosquitos. "As análises dessas novas amostras estão em andamento", afirma Corrêa, que realiza seu doutorado no IOC e nos Centros para o Controle de Doenças (CDC, na sigla em inglês), nos Estados Unidos.
O artigo com a descoberta foi publicado na revista científica Memórias do Instituto Oswaldo Cruz. O virologista Hermann Schatzmayr, que morreu no ano passado, participou do estudo. Ele teve papel fundamental na erradicação da varíola no País.
Em paralelo. O Laboratório de Virologia Clínica e Molecular do Instituto de Ciências Biomédicas da USP também procura indícios de atividade do vírus da febre do Nilo Ocidental no País.
A pesquisadora Tatiana Lopes Ometto iniciou um doutorado em 2008 cujo tema é o monitoramento do vírus em equinos e aves. E já obteve resultados semelhantes aos do grupo do IOC. "Analisamos 1.156 amostras de sangue - 678 de equinos e 478 de aves - obtidas em Nova Brasilândia (a 190 quilômetros de Cuiabá, em Mato Grosso)", recorda Tatiana. "Confirmamos a presença de anticorpos contra o vírus em quatro equinos."
Os animais eram nativos da região - uma zona de transição do Cerrado para o Pantanal. Portanto, não poderiam ser casos importados. O trabalho deve ser publicado até o fim do ano em uma revista científica internacional.
Gravidade. Muitas vezes, em humanos, a infecção é assintomática. Em outros casos, os sintomas são parecidos com os da dengue: febre, dores no corpo e náusea. Algumas pessoas, no entanto, evoluem para formas mais sérias da doença, com comprometimento do sistema nervoso central. Em 1996, uma epidemia na Romênia apresentou um número excepcionalmente grande de quadros graves. Dos 393 pacientes diagnosticados, 352 desenvolveram inflamação do cérebro. Cerca de 10% morreram.
PARA LEMBRAR
O vírus da febre do Nilo Ocidental só foi isolado em 1937, em Uganda. Uma pesquisa da Universidade do Estado do Colorado (EUA), no entanto, levanta a hipótese de que Alexandre Magno, rei da Macedônia, teria morrido de uma forma grave da doença, na Babilônia, em 323 a.C. Tinha 32 anos e agonizou duas semanas com febre. O historiador Plutarco relata que a morte do célebre conquistador foi precedida e acompanhada pela morte de corvos. Algo semelhante ao observado nos EUA durante a entrada do vírus no país.
Comentário (ProMED):
[A região do pantanal é pouso das aves migratorias. O vírus ja foi encontrado na Argentina (em cavalos) e é endêmico na América do Norte. Pássaros são os reservatórios naturais - era uma questão de tempo encontrar o vírus em algum ponto da rota das aves - ljs
P.S. - Nem os mais incautos chegam a confundir dengue com a febre do Nilo Ocidental, ainda que ambas sejam causadas por flavivirus]
Precious Reynolds, uma garota de 8 anos da cidade de Willow Creek - CA - EUA, foi tratada para para o vírus da raiva sem a utilização do protocolo vacinal. A menina contraiu a doença em abril - de um gato - e em maio, após a avó da garota ter suspeitado de sintomas de gripeo, diagnóstico surpreendente de raiva foi confirmado.
O tratamento foi realizado na Universidade da Califórinia e, como o tratamento vacinal já seria tardio, não foi realizado. O protocolo adotado foi o coma induzido por medicamentos e antivirais. Permaneceu por duas semanas no setor de terapia intensiva e, após, seguiu para o setor de pediatria do hospital onde permaneceu até domingo. De acordo com os médicos, o sucesso da terapia baseou-se na excelente resposta imune da paciente. Precious é a terceira pessoa a sobreviver ao vírus da raiva - sem tratamento vacinal - nos Estados Unidos.
Apesar de não "acreditar" em tratamento para raiva, acredito muito na resposta imune individual e na vigilância bem feita e aplicada. Boas notícias, em tratamento atirrábico, não são comuns e vale divulgar. Como a paciente não apresentava sinais nervosos, acredito não haver maiores sequelas do tratamento.
O blog Curiosidades de la Microbiología trouxe uma excelente explicação sobre a E. coli e também sobre o que são sorotipos, como são designados e a "bendita" Shigatoxina ou Shiga-like, como preferirem.
Procurando informações sobre antimicrobianos, encontrei um site que traz uma excelente ferramenta de auxílio na escolha de antimicrobianos em veterinária, o Veterinary Antimicrobial Decision Support - VADS*, elaborado por diversas Universidades americanas. Dentre as diversas ferramentas, possui tabelas de sensibilidade, nas quais você escolhe os antimicrobianos e os microrganismos, clica em "Show data" e ele mostra gráficos com as performances dos antimicrobianos frente aos microrganismos selecionados.
Na aba "Library" você acessa informações sobre farmacocinética, farmacodinâmica, revisões sobre doenças, microrganismos isolados e terapia antimicrobiana, além do "VADS Online Resources", que traz muita informação a respeito de antimicrobianos.
Em algumas seções o site apresenta opções somente para bovinos ou suínos, mas os desenvolvedores explicam que em breve devem ser adicionados novas informações - e outras espécies animais.
Navegando por essa web acabei encontrando, via Universia, a página do pessoal da Universidade de Santiago de Compostela (Espanha) que traz, em flash, o "tutorial" Vacvet* para auxiliar no diagnóstico diferencial de doenças infecciosas do trato reprodutor (nesta edição, apenas para bovinos).
De acordo com a Universidade, "Se trata de un programa de autoaprendizaje para el apoyo del diagnóstico diferencial de las principales enfermedades de naturaleza infecto-contagiosa que causan alteraciones reproductivas en el ganado vacuno, basándose en datos epidemiológicos, síntomas y lesiones."