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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Sobre o adolescente amazonense e a cura da raiva

Ano passado (2017) um sem-número de pessoas que vivem na Reserva Extrativista da Comunidade Tapira do Rio Unini em Barcelos-AM (mais de 400 Km de distância de Manaus) estavam sob risco de raiva transmitida por morcegos hematófagos. Na mesma família, TRÊS irmãos foram infectados. Dois morreram. Mateus Castro, de 14 anos, sobreviveu "graças ao Protocolo de Milwalkee". Este protocolo ainda é experimental, sendo utilizado em casos de raiva humana em que não houve o devido tratamento profilático pós-exposição (soro antirrábico e quatro doses de vacina antirrábica - nos dias 0, 3, 7 e 14 - no caso da mordedura por morcegos).  Quando um caso de raiva humana chega à cura, significa que o paciente, além de sobreviver, também não possui mais o vírus em seu sistema nervoso central. Mas veja, o vírus da raiva já tinha chegado lá no cérebro. Já causou danos, muitas vezes irreversíveis. O que será deste menino no "pós-raiva"? Será mais um brasileiro curado, um sucesso para a medicina, porém mais um "Marciano"? 

Marciano Menezes da Silva foi o primeiro brasileiro curado da raiva, em 2008. No ano de 2007 ele foi agredido por morcego, não recebeu a profilaxia antirrábica pós-exposição, porém recebeu o Protocolo de Milwalkee modificado ou Protocolo de Recife. UM PACIENTE BRASILEIRO SOBREVIVEU À RAIVA!!!! Mas como está sobrevivendo hoje, de volta ao sertão de Pernambuco? Como é a assistência "pós-raiva" em Floresta-PE? Me pergunto várias vezes "o que é sobreviver à raiva?". Conforme a reportagem de 2016, Marciano disse que seu "maior sonho é voltar a andar". O que é sobreviver?
Este conteúdo foi produzido pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. Para compartilhar, use o link http://noticias.ne10.uol.com.br/interior/sertao/noticia/2016/07/27/oito-anos-depois-unico-brasileiro-curado-da-raiva-humana-vive-em-condicoes-precarias-628353.php

Voltando a Barcelos-AM, não custa lembrar que foram necessárias DUAS MORTES de irmãos para que a população sob risco finalmente tivesse acesso à profilaxia. Os óbitos foram registrados em Manaus em 02 e 16 de novembro e só no dia 05 de dezembro as doses de vacina e soro chegaram a Barcelos! Pensando que o período de incubação médio da raiva em humanos é de aproximadamente 45 dias, é possível que esta família tenha sido agredida pelos morcegos e infectada com o vírus da raiva ainda em AGOSTO ou SETEMBRO. E a profilaxia para a comunidade chegou em DEZEMBRO. Foram necessárias duas mortes na mesma família para que os órgãos de saúde se mobilizassem de verdade, com praticamente quatro meses de atraso. É desanimador tamanho descaso!

A região amazônica é rica em biodiversidade porém também está sob a ameaça constante de desequilíbrios ambientais. Um estudo de 1980 já falava da importância epidemiológica de morcegos hematófagos na região, já alertando que "concernente à prevenção da raiva humana é a criação acidental de micro-habitats para morcegos hematófagos na forma de áreas preservadas com abrigos adequados na colonização de regiões florestais onde a raiva silvestre é prevalente", e enfatizando as características ecológicas que podem favorecer a permanência destes nas áreas habitadas por humanos. A Reserva Extrativista da Comunidade Tapira do Rio Unini em Barcelos-AM talvez nem seja tão preservada assim e, para que os hematófagos optem por atacar pessoas, é bem possível que haja falta de alimento melhor para os morcegos, ou seja, pela falta de outras espécies animais os morcegos passaram a espoliar pessoas. Imagine a falta de estrutura de um local desses? Onde nem a saúde chegou oportunamente?!

Também não custa lembrar que ainda em 2017 as cidades de Salvador-BA e Recife-PE foram focos de raiva em morcegos hematófagos (que nem deveriam habitar áreas urbanas!! Veja o desequilíbrio ambiental!) e em Recife ocorreu um óbito humano devido à variante do vírus da raiva que circula em morcegos hematófagos (variante 3), porém transmitida por um gato. O gato havia entrado em contato com o morcego, foi infectado com o vírus da raiva e acabou transmitindo a doença para a pessoa através de mordedura. A pessoa não buscou atendimento oportunamente... Óbito.

Mais lembranças de 2017, tivemos a modificação no protocolo da vacina antirrábica pós-exposição, que era de cinco doses e passou a ser de quatro. É óbvio que a justificativa são os "estudos recentes comprovando que quatro doses já são suficientemente protetoras", não precisa mais da quinta dose.  Nada disso tem a ver com o desabastecimento de vacinas e a crise na produção de imunobiológicos, incluindo soro antiofídico, soro antirrábico, vacina de febre amarela, vacina antirrábica... Não, nada tem a ver com isso! Até mesmo o novo protocolo da vacina de febre amarela, que era uma dose a cada 10 anos se tornou esta mesma dose para a vida toda! E em 2018 podemos fazer apenas 1/4 da dose que protegerá por 8 anos! Fantástico! Mas são os estudos recentes que indicam isso. Estamos seguros e podemos ficar tranquilos com os novos protocolos de imunização! E pensar que o Brasil já foi referência em imunização! Que saudade do PNI!

Lembrando também que 2017 foi o ano da "revolta" da sífilis, não só pela falta de cuidados e uso de preservativos pelas pessoas mas também pela falta de penicilina para tratar os pacientes! E o brasileiro segue não se protegendo, não se prevenindo e NÃO SE TRATANDO. Ou porque não sabe, ou porque NÃO TEM!

E assim segue nosso sistema nada preventivo, totalmente assistencial, com o perfil de "apagar incêndios" da saúde. São tantos os exemplos, como a raiva canina em Corumbá-MS, a febre amarela no Sudeste, a entrada do Zika e a explosão do Chikungunya... e tantos outros. Infelizmente isso deixa claro que nossos gestores estão mais preocupados com a "política" do que com o cidadão ou a gestão da saúde.

Guarde este rosto. Este é Mateus Castro antes da raiva. (Foto da reportagem do G1)


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Cuidados com animais: entrevista à Rádio Educativa UFMS

Ir à rádio UFMS é sempre muito bom! Volto sempre mesmo!

A conversa do primeiro bloco começou com os cuidados com cães e gatos na época de frio, depois falamos sobre manter aves domésticas em casa, entramos em "doenças zoonóticas", chegamos em posse responsável.

No segundo bloco o assunto foi, claro, leishmanioses - leishmaniose visceral, leishmaniose tegumentar, prevenção e Projeto LeishNão.

Os dois blocos estão disponíveis no site da Rádio: https://educativa.ufms.br/01-05-2017/

domingo, 31 de janeiro de 2016

(NÃO MANTENHA) larvas de Aedes em casa

[Opinião]
Ok. Vamos falar sobre depósitos de ovos de Aedes. Sobre deixar o pote cheio de água só para ter um lindo berçário cheio de bebês-Aedes bem pertinho de você, ou sobre deixar para recolher a sujeira do seu quintal depois que as moscas fizerem a oviposição, pois é melhor que as larvas de mosca se desenvolvam lá no lixo, não é?
Amigos, por favor. Precisamos de clareza!!!!!!
Essa estratégia de ter "berçário de larvas" seria ótima se as pessoas já cuidassem de seus próprios quintais e se elas não tivessem mais nada o que fazer da vida, a não ser cuidar para ver se a fêmea de Aedes já depositou os ovinhos lá. A Páscoa está chegando mas esses ovinhos NÃO são de chocolate e a surpresa não será um brinquedo.
As pessoas NÃO cuidam de seus quintais. As pessoas NÃO fazem a lição de casa, NÃO deixam o agente de saúde entrar, NÃO se mexem. As pessoas reclamam do vizinho, reclamam do governo e reclamam que as contas estão caras - mas continuam devendo no comércio da esquina.
Quem trabalha com Aedes e controle de quaisquer vetores sabe o quão rápido estes se adaptam a novos ambientes ou desafios, e quem trabalha com extensão sabe que o problema do depósito de água é bem pior: tem alta densidade demográfica, péssimo saneamento (quanto tem!), baixo nível educacional, vive mal, come mal, mora mal e o salário é tão baixo quanto a capacidade da cidade em suprir a desigualdade social.
Convenhamos que o combate a vetores (Aedes, Lutzomyia e outros tantos...) vai muito além da questão "limpinho". Não é possível realizar controle de vetores (veja bem: CONTROLE) sem ações integradas, contínuas e coletivas. Este país é tropical, desigual e, infelizmente, preguiçoso demais. Não é só o cidadão, o poder público, o setor privado, os empregadores, as escolas públicas e privadas, as igrejas, os presidentes de bairro... o engajamento deveria ser 100%. Aí sim, poderíamos ter criadouros monitorados dentro de casa e ainda comparar os dados com os vizinhos. Imagina que bacana seria esse paper?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A emergência de uma das maiores epidemias do Brasil veiculada pelo Aedes e outros culicídeos: Zika vírus, Chikungunya e outras arboviroses


A emergência de uma das maiores epidemias do Brasil veiculada pelo Aedes e outros culicídeos: Zika vírus, Chikungunya e outras arboviroses

Profa. Juliana Arena Galhardo
Médica Veterinária
Zoonoses e Saúde Pública – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul


Infelizmente em nosso país as ações em saúde têm sido conduzidas “sob demanda”, ou seja, quando há emergências em saúde pública, ou quando há acordos assumidos principalmente com as organizações internacionais, como a Organização Mundial do Comércio, Organização Mundial de Saúde a Organização Mundial de Saúde Animal. Vivemos em um país de economia emergente e, apesar de estarmos em momento de séria crise político-econômica, esse status do Brasil em relação aos países membros da Organização das Nações Unidas nos torna economicamente mais ‘próximos’ dos países de clima temperado, que enfrentam sobretudo enfermidades crônicas não transmissíveis, mas no mundo real estamos em fase de transição epidemiológica, também sofrendo com as doenças crônicas não transmissíveis, porém em área tropical e altamente receptiva a doenças infecciosas e parasitárias. O fluxo de pessoas tem aumentado exponencialmente no mundo, sejam missões comerciais, turistas, atletas ou imigrantes, então cada indivíduo é um potencial “traficante” de doenças e, claramente, no Brasil não estamos preparados para detectar as novas ameaças pois não ‘conseguimos’ controlar as já endêmicas.
Já tarda a implantação de ações coordenadas para o enfrentamento de problemas de saúde[1] no Brasil, coordenadas em prol da sociedade brasileira e não em prol da ganância: interesses próprios, comerciais ou de bases partidárias. O direito à saúde é garantido pela Constituição Federal de 1988, ‘a saúde é um direito de todos e um dever do Estado...’, porém com a corresponsabilidade das pessoas, da família, das empresas e da sociedade (Lei Federal no 8.080 de 19 de setembro de 1990). Toda a sociedade brasileira DEVE ser esclarecida e DEVE se envolver diretamente nas questões pertinentes ao país, e assumir sim seu papel de protagonista para que quaisquer ações estabelecidas sejam realmente eficazes. Vivemos sob o regime de Estado Democrático de Direito porém, infelizmente, ainda sofremos as consequências da época da ditadura: o povo brasileiro permanece passivo, não envolvido, sem conhecimento e, portanto, sem capacidade de reivindicação e argumentação, como consequência direta da precarização da educação. Façamos então nosso papel de informar e propor / executar soluções.
Tristemente neste momento é mais que urgente a necessidade de ações “sob demanda”, transversais ou emergenciais, mas as ações longitudinais devem também ser coordenadas desde já para que o sistema de saúde tenha maior sensibilidade na detecção de casos e, consequentemente, ações de planejamento em saúde.


O PROBLEMA

Para enfrentar as arboviroses é necessário conhecer profundamente os “inimigos”, incluindo todos os aspectos epidemiológicos dos agentes, hospedeiros, ambiente e vetores, a fim de determinar os pontos-chave da epidemiologia das doenças para executar ações individuais e coletivas com o melhor custo-benefício para a sociedade.

Sobre as arboviroses

            Arboviroses são doenças causadas por vírus e transmitidas por artrópodes, portanto quem faz ativamente a transmissão do vírus é o vetor. O termo ‘arbovírus’ vem do inglês “vírus veiculados por artrópodes” - ARrthropod BOrne virus – e os artrópodes são uma Classe de animais que inclui insetos, crustáceos, aranhas, ácaros e outros, mas nem todos estão envolvidos nos ciclos de transmissão das arboviroses. Para os arbovírus abordados neste texto os principais artrópodes vetores são mosquitos.

sábado, 13 de abril de 2013

H7N9 - a nova versão da influenza aviária


Olá pessoal,

Estaremos na iminência de uma nova pandemia? Bem, enquanto não for comprovada a transmissão humano-humano do Influenza A(H7N9) ainda há podemos seguir tranquilos. A China está sob alerta geral e não podemos deixar de acompanhar a eco-evolução deste importante evento epidemiológico!

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Nota Técnica sobre a vigilância da Febre Amarela no Brasil

Olá pessoal! Antes de mais nada, FELIZ 2013! E que este ano seja repleto de razões para comemorar!

Para iniciar os trabalhos, segue a Nota Técnica do Ministério da Saúde sobre a vigilancia de Febre Amarela: "Alerta aos serviços de saúde sobre a importância de intensificar a vigilância da
Febre Amarela Silvestre durante o período sazonal no Brasil."

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Oficina: Estudos Epidemiológicos em Situação de Risco com foco em Investigação de Surto das Principais Doenças de Interesse em Saúde Pública

Olá pessoal,

Recebi hoje o seguinte convite da Dra. Gislaine Brandão Voelho, da Secretaria de Estado de Saúde - MS:

Informo que nos dias 28 a 30 de novembro de 2012 a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul promoverá em parceria com o CRMV/MS a oficina "Estudos Epidemiológicos em Situação de Risco com foco em Investigação de Surto das Principais Doenças de Interesse em Saúde Pública" no Eco Hotel do Lago - Campo Grande/MS.

quarta-feira, 16 de maio de 2012

Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose - Paraná

 Olá pessoal,

Segue a divulgação de outro evento, desta vez em Maringá-PR, para debater sobre os avanços e busca de novas soluções para o PNCEBT.

O Fórum Estadual de Brucelose e Tuberculose é organizado pelo Conselho de Sanidade de Agropecuária de Maringá e acontecerá dia 20 de junho, no Recinto de Leilões Ermelindo Bolfer, Av. Colombo s/n, Maringá.

Inscrições online aqui.

Programação:

08h30 - 10h00 - Avanços e desafios da vacinação contra brucelose, por Mariza Koloda (ADAPAR)
10h00 - 10h30 - Intervalo
10h30 - 12h00 - A importância da certificação de propriedades, por Prof. Dr. José Soares Ferreira Neto (USP)

13h30 - 15h00 - Fundos de indenização de brucelose e tuberculose (palestrante a confirmar)
15h00 - 15h30 - Intervalo
15h30 - 17h00 - Médicos veterinários habilitados e a ética profissional, por Dr. Eliel de Freitas (CRMV) e Dra. Maria Goretti (MAPA)


segunda-feira, 14 de maio de 2012

Encontro Estadual sobre Zoonoses Emergentes - MS


Entre os dias 23 e 25 de maio de 2012 a Secretaria de Estado de Saúde promoverá o Encontro Estadual sobre Vigilância, Prevenção e Controle das Zoonoses Emergentes e Negligenciadas em Mato Grosso do Sul.
O Encontro, com objetivo de atualizar e fortalecer os serviços municipais e estaduais de vigilância e controle das zoonoses em sua capacidade de resposta, será realizado em Campo Grande-MS, noHotel Chácara do Lago, sob organização de PauloMira Batista (SES - Gerência Estadual de Zoonoses / Coordenadoria Estadual de Vigilância Epidemiológica).

Confira a programação:


Encontro Estadual Sobre Vigilância, Prevenção e Controle das Zoonoses Emergentes e Negligenciadas em Mato Grosso do Sul
Dia 23 de maio de 2012 – Quarta-Feira
14h00min – 14h30min Credenciamento dos participantes e Apresentações
14h30min – 15h30min Zoonoses: hospedeiros e reservatórios – Dra. Elizabeth Dourval - UFMS
15h30min – 16h:20min Controle Vetorial nas Ações de Vigilância em Saúde das Zoonoses Transmitidas por Vetores – Aldecir de Araujo Dutra – Coordenadoria Estadual de Controle de Vetores / SES-MS
16h20min – 18h:00min CIEVS: Centro de Informações Estratégicas em Vigilância em Saúde – identificação e monitoramento de doenças e agravos de emergência e saúde pública – Larissa Castilho – CIEVS/MS

Dia 24 de maio de 2012 – Quinta-Feira

08h00min – 10h00min Encefalites Eqüinas e Febre do Nilo Ocidental – Francisco Anilton de Araujo – Secretaria de Vigilância em Saúde/Ministério da Saúde.
10h00min – 10h20min Intervalo
10h20min – 11h00min Vigilância Integrada de Epizootias (Arboviroses e Raiva) – Francisco Anilton de Araujo – Secretaria de Vigilância em Saúde/Ministério da Saúde
11h00min – 12h00min Simulado Epizootias: como investigar uma epizootia
12h00min – 14h00min Almoço
14h00min – 14h40min Vigilância da Febre Amarela e Cobertura Vacinal em Mato Grosso do Sul – Vera Lúcia Carvalho da Silva – Coordenadoria Estadual de Vigilância Epidemiológica
14h40min – 15h20min Síndrome de Lyme-símile e suas implicações em saúde pública – Dr. Izaias Costa –
15h20min – 16h00min Febre Maculosa: hospedeiros, reservatórios e vetores - Robson – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
16h00min – 16h20min Intervalo
16h20min – 17h00min Vigilância da hantavirose: Paulo Mira Batista – Coordenadoria Estadual de Vigilância Epidemiológica/SES-MS
17h00min – 18h00min Vigilância epidemiológica das leishmanioses e Solicitação e Dispensa de Medicamentos utilizados para Tratamento das Doenças Endêmicas: Leishmanioses, Doença de Chagas e Malária – Paulo Mira Batista – Coordenadoria Estadual de Vigilância Epidemiológica/SES-MS

Dia 25 de maio de 2012 – Sexta-Feira
08h00min – 08h30min Diversidade de exames realizados pelo Lacen e pelos Laboratórios de referência Nacional para o diagnóstico das Zoonoses – Lacen-MS
08h30min – 09h30min Vigilância Epidemiológica da Doença de Chagas – Vera Lúcia Carvalho da Silva – Coordenadoria Estadual de Vigilância Epidemiológica / SES-MS
09h30min – 10h10min Aspectos epidemiológicos relacionados ao risco de transmissão de Trypanosoma cruzi em comunidade Quilombola, Estado de Mato Grosso do Sul, Brasil – Marlon Cezar Cominetti – Doutorando / UFMS
10h10min – 10h20min Intervalo
10h20min – 11h00min Vigilância entomológica da Doença de Chagas – Paulo Silva de Almeida – Coordenadoria de Controle de Vetores / SES-MS
11h00min – 11h00min Considerações finais e encerramento

quinta-feira, 5 de abril de 2012

Comissão Estadual de Saúde Pública Veterinária - CRMV-MS

Um "viva" à Medicina Veterinária Preventiva - Saúde Pública Veterinária!!!

Fiquei muitíssimo feliz em participar da Oficina e, principalmente, em saber que há pessoas interessadas nesta premissa, até então negligenciada e atuamente reemergente dentro da nossa Profissão. Quem trabalha com saúde pública o faz por vocação, amor e respeito ao ser humano e, como diria o Dr. Jair Vicente, "exerce o sacerdócio". Suma do evento: compromisso das Instituições de Ensino em ensinar o tema; promoção da ára de atuação junto à comunidade civil e veterinária; motivação na inserção do Veterinário na saúde pública. Tríade indissociável para qualquer área profissional ser respeitada e estabelecida - e espero colaborar ativamente com isso!

No último dia 30 (março/2012) foi realizada a I Oficina da Comissão Estadual de Saúde Pública Veterinária do Conselho Regional de Medicina Veterinária de Mato Grosso do Sul (CESPV / CRMV-MS) com vistas a discutir, debater e delinear algumas propostas para melhor estruturar essa área de atuação profissional ainda incipiente para a categoria - com foco na nova Portaria (MS) 2488 de 21 de outubro de 2011 que inclui o Médico Veterinário no PNAB / NASF.

O evento foi presidido pela CESPV / Dr. Eduardo Arteiro Marcondes (Vice-Presidente do CRMV-MS) com a participação de representantes docentes e discentes das instituições de ensino superior de Mato Grosso do Sul (UFMS, UCDB,UNIGRAN, Anhanguera-Dourados). Na Oficina foram propostos três eixos de discussão: O papel do médico veterinário na saúde pública frente a nova Portaria (MS) 2488; A importância da qualidade de atuação profissional frente a novos desafios; O perfil da formação de medicina veterinária para a saúde pública.

Este evento foi muito importante, não só por envolver a Academia às ações do CRMV, mas também por propiciar o importante encontro entre representantes das instituições de ensino do Estado e motivar a todos para um mesmo objetivo: ensinar, promover e atuar em saúde pública veterinária.

As discussões geraram uma Carta de Pactuações e já foi divulgado que o CRMV-MS está preparando o I Seminário Estadual de Saúde Pública Veterinária. Vem muita coisa por aí!

Segue abaixo a Carta de Pactuações da I Oficina, para ampla divulgação, discussão e conhecimento.


Além da Carta, outras publicações relacionadas também podem ser acessadas neste link:


Entrega de certificados e foto clássica dos participantes da I Oficina

sábado, 11 de fevereiro de 2012

SIMILE - Simpósio Mineiro sobre Leishmaniose

[Olá pessoal! Segue mensagem do Ailton Costa, da UFMG, solicitando a divulgação de um evento muito importante em sua instituição, o SIMILE - Simpósio Mineiro sobre Leishmaniose. O evento acontecerá de 22 a 24 de maio no auditório da Escola de Veterinária da UFMG. 
Mais sobre o evento abaixo e inscrições aqui. Participem!!!! 
É fundamental que se discuta muito sobre doenças negligenciadas - sobretudo leishmaniose. Só neste mês já foi confirmado um caso de LV (importado) no Uruguai e outros casos (autóctones) na Argentina... Já passou da hora de termos soluções!! Parabéns pela iniciativa, pessoal!]

Em Maio/2012 acontecerá na Escola de Veterinária da UFMG, em conjunto com a Fundação Oswaldo Cruz- FioCruz/MG, o SIMILE. Com uma proposta inovadora e englobará a Saúde Publica, Clinica Médica, Epidemiologia e avanços em pesquisas da área.

Segue o link da EV-UFMG e a programação anexada

 
http://www.vet.ufmg.br/eventos/exibir/68/

Gostaria que a senhora compartilhasse esse email a seus alunos e possíveis interessados na área.


Att, Ailton Costa

Organizador do SIMILE

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Leishmaniose - vacina, tramitação do PL 1738/11 e Simpósio em CG

Acabei de postar sobre o PL. Acabei de ver, via @ClinicaVet (Revista Clínica Veterinária) o link para informações sobre a audiência pública realizada na última terça-feira sobre o Projeto.

Na página do deputado Geraldo Resente (acesse "Audiência mostra falta de consenso sobre vacina contra leishmaniose") aparece um pouco do que acabei de falar: onde está a integração MS-MAPA???  E olha os especialistas acendendo a fogueira de eutanásia e tratamento! E olha a guerra de egos dos Ministérios! E olha a política de saúde para onde vai...

Senhores... por favor. Tratem a doença como DOENÇA - ZOONOSE. A urbanização da leishmaniose visceral está aí, aqui, e cada dia mais acolá! O cachorro, considerado o principal reservatório da doença em área urbana, é o "bode expiatório" de uma briga entre trata-não trata, mata-não mata enquanto a população humana continua suscetível e ignorante frete à doença.

Falta bom senso e conhecimento na questão da leishmaniose. A população em geral entende vacina como "solução cabal". E quando o cão vacinado adquire a doença? Tem que haver muito esclarecimento!!! Vacina nunca é 100%, coleira nunca é 100%, eutanásia e tratamento também nunca são 100%. A taxa de sucesso de tratamento em humanos só é "boa" porque tem acompanhamento. E quando não há acompanhamento, acontece como em tuberculose e outras doenças de tratamento a longo prazo - DESISTÊNCIA e RESISTÊNCIA. Se para pessoas ocorre isso, imagine para animais - que até hoje são depositados na porta de clínicas veterinárias, HVs, CCZs e ONGs? Manter campanha antirrábica já está complicado; manter campanha de castração também já está complicado; que tal começar a campanha em prol da campanha de esclarecimento? População que não conhece, não faz! Tem que ter educação e ações integradas.

Só o MS não resolve. Só o MAPA não resolve. Têm que trabalhar juntos! A "Política de Vacinação" tem que se transformar na "Política de Controle e Prevenção"  - para humanos e animais. A centralização da saúde em questões específicas só gera custos e debates infinitos - e definitvamente não resolve. 

Hoje temos um excelente patamar em relação ao HIV/Aids graças a muita in$i$tência. Ensino na escola, propaganda na mídia, campanhas e programas de controle e prevenção... gastou-se muito para chegarmos nas boas novas atuais e no nível de conhecimento da população frente aos riscos. Que tal trabalhar assim frente à LV? Para nossa "tristeza", o exemplo urbano mais comum de doença veiculada por vetor é dengue. Que também tem um loooongo caminho de combate pela frente...

São muitas frentes a investir. Educação, vigilância ambiental e epidemiológica, pesquisa e divulgação de conhecimento sobre a doença, ações a campo, registro de produtos / medicamentos, controle de trânsito de animais, treinamento em saúde humana e animal, fatores culturais e socioeconômicos locais etc etc etc. Não dá tempo para guerra de egos. 

Se até o "mito" da toxoplasmose está, aos poucos, sendo esclarecido. Acredito profundamente que o da leishmaniose também será. E não se esqueçam: leishmaniose É doença mundialmente negligenciada!!!!

Em Campo Grande, em 26 e 27 de novembro, ocorrerá o II Simpósio Sul-Mato-Grossense de Leishmanioses. Vários desses temas sobre leishmaniose serão discutidos e - espero - que o bom senso impere. Ninguém tem que ser "Greenpeace" ou ser "Ateu" em Saúde Pública. Tem que ter bom senso.


Sobre o Simpósio: inscrições gratuitas: (67) 3331-1655; asspresidencia@crmvms.org.br

OUÇA!!!! Entrevista com Sibele Cação, Presidente do CRMV-MS, na rádio Transamérica Hits (via A Crítica de Campo Grande)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Leishmaniose visceral e PL 1738/2011 - vacinação canina compulsória

Prezados!

Convido a todos à "saborosa" leitura do Projeto de Lei n.1738/2011 que tramita na Câmara dos Deputados sobre a vacinação compulsória de cães contra a leishmaniose, proposto pelo deputado e médico Geraldo Resende (PMDB / MS).

O texto pode ser acessado na íntegra (versão .pdf aqui) e o trâmite pode ser acompanhado diretamente na página do Projeto de Lei (aqui).

Recomendo que leia o Projeto e depois prossiga a leitura do post...

Estamos falando de uma zoonose ultra polêmica cujas ações de controle não têm servido de muita coisa.  Tenho muitas perguntas quanto ao PL e seus efeitos. Eu, particularmente, tenho muita "revolta" quanto à leishmaniose visceral, justamente pela falta de respostas e excesso de perguntas. É necessário pensar muito! É uma doença em que muitos agem mas poucos pensam. Ninguém divulga efeitos reais das ações de controle, isso me preocupa muito. Não será hora de trabalhar no bom e velho controle integrado? Cadê a tríade / cadeia epidemiológica, gente?! PENSEM! Chega de só "apagar fogo" nesse país. Na saúde - pública ou não - só se faz apagar incêndios. Precisamos de ações com início, meio e fim, totalmente planejadas, auditadas e avaliadas! Para montar um projeto de pesquisa a pessoa tem que pensar muito, delinear tudo e prever tudo - para que não haja furos. Por quê não usar esse bom modelo para "desenhar" a saúde pública no Brasil? Não me venham com as conversas de "academia é uma coisa, mundo real é outra". PENSAR é imprescindível! E colocar especialistas para brigar sobre tratamento de leishmaniose em cães definitivamente NÃO é a questão. Especialistas devem deliberar e propor planos inteiros e não apagar fogo ou defender pontos específicos. PENSEM! Não dói nada!

As dúvidas - totalmente pessoais:

- Em que pé estão os testes de vacina anti-Leish - já fizeram todas as etapas? Temos os dados completos da eficácia vacinal, efeitos colaterais, validação...???

- QUAL das vacinas será utilizada - melhor, que laboratório ganhará com essa?
- De onde vem a verba para a campanha?
- Será utilizado o protocolo de teste - sorologia - dos animais (claro, dependendo da vacina utilizada)?
- Em que testes podemos mesmo confiar?
- Quanto às reações cruzadas, o que me falam a respeito dos Trypanosoma da vida, tão comuns em várias regiões do Brasil?
- Como será avaliado, a curto, médio e longo prazo, o efeito da vacinação na redução de casos humanos?
- Em cidades sem CCZ, quem / que órgãos serão os responsáveis pela vacinação?
- Em cidades / regiões ainda livres de LV... a vacinação também será compulsória?
- Como garantirão a adesão da população à campanha - considerando que as campanhas contra raiva têm cada vez menor adesão e também, falando em saúde pública em CG, as consequências nefastas do caso de raiva urbana no último mês de agosto?
- Serão integradas outras ações de controle?

O texto trata da "Política Nacional de Vacinação contra a Leishmaniose animal". Senhores!!!!! SENHORES! Por que não a "POLÍTICA NACIONAL DE CONTROLE DA LEISHMANIOSE HUMANA E ANIMAL"????? CONTROLE! Humanos E animais! Ações conjuntas, simples e complexas, para diminuir incidência E prevalência! SÓ VACINAR CACHORRO ainda é apagar fogo. Concordo e entendo que, no controle de leishmaniose, diversas esferas devem trabalhar juntas. Qual é o grande desafio em colocar a Vigilância Ambiental, Vigilância Epidemiológica, Secretaria de Agricultura e (quando houver) CCZs trabalhando juntos por uma saúde pública? Sabe qual o grande desafio? 
P O L Í T I C A.

Ah sim, mais uma dúvida. Como se trata de vacina de uso animal, a "brincadeira" é do MAPA (Min. Agricultura, Pecuária e Abastecimento). E há integração com o MS (Min. da Saúde) onde, mesmo?? 

Sabe o Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral (MS, 2006)? Leia e me fale a respeito de determinação de áreas vulneráveis. E me fale também a respeito se, hipoteticamente, você resolvesse pesquisar LV canina em uma cidade, a priori de ocorrência silenciosa e, ainda hipoteticamente, você envia para diagnóstico sorológico ao principal laboratório de saúde pública daquele estado, voltam resultados de 20 animais positivos e, na recoleta, não sobra sequer UM animal positivo? 1- o que significa casos positivos autóctones em uma área silenciosa?; 2- o que acontece com o município (quanto a VERBA repassada para saúde pública), que sai do status silencioso e passa a ter casos autóctones?; 3- serão todos falso-positivos porque, em área de baixíssima prevalência o valor preditivo do teste é comprometido?; 4- serão todos casos de reação cruzada com qualquer outra doença? 5- eram positivos para LV ou leishmaniose tegumentar?? Por isso reflito no quanto a política interfere nos "resultados" de uma pesquisa e no quanto ainda não temos ferramentas diagnósticas ótimas frente às leishmanioses e diferenciação destas.


Quando se trata de protozoários, o mistério é infinito. Eu ainda DUVIDO de uma vacina eficaz contra protozoários. Espero que eu "morda minha língua" o quanto antes, mas ainda não chegamos nem próximo de vacina realmente protetora contra protozoários. E se a vacina fosse tão über, por quê não desenvolver e disponibilizar para humanos - o foco da saúde pública? Ok, está em desenvolvimento... Mas e do vetor? Ninguém fala  / faz nada? Até Aedes aegypti já tem versão transgênica mutante...

Deixemos esclarecido: sou a favor de vacina, não sou xiita frente a eutanásia e tratamento de cães. Mas somente UMA medida NÃO resolve e NÃO controla a doença! Pensem! Integrem! Afinal, pra que serve a EPIDEMIOLOGIA???

Somebody save me!

Sobre outras publicações do Ministério da Saúde, acesse o site da Editora do MS aqui. 

quinta-feira, 8 de setembro de 2011

Dia Mundial da Raiva - 2011

[Maiores informações em World Rabies Day, site em português]


O Dia Mundial contra a Raiva está se aproximando!

[Recebido por e-mail em 06/09/2011]


Dear Friends and Colleagues:    


World Rabies Day 2011 is just around the corner! Thanks to your ongoing support, together, we’ve mobilized 135 countries; educating 150 million people and vaccinating 5 million animals!  We invite you to join us again this year as we continue to educate communities across the world about rabies prevention.

If you’re planning an event, please send-in your event submission as soon as possible through the World Rabies Day website. Adding your event to our website not only brings global visibility to your efforts but helps others find an event in their local community. Click here to tell us about your event.

 

domingo, 4 de setembro de 2011

(Nova) Promissora vacina contra tuberculose - será o fim da BCG?

[Boa noticia editada de Veja.com, de 04/09/2011, seção Saúde. Leia na íntegra aqui.]

 Nova vacina contra tuberculose promete ser mais eficaz que a BCG 

Cientistas trocaram gene que permite à bactéria enganar o sistema imunológico

Pesquisadores da Faculdade de Medicina Albert Einstein, da Universidade Yeashiva, em Nova York, desenvolveram uma vacina contra a tuberculose que provou ser segura e eficaz em testes com animais. O mais interessante na pesquisa, publicada hoje na Nature online, é como a vacina foi criada. A pesquisa buscava determinar como a bactéria conseguia enganar o sistema imunológico e provocar a doença. Os testes iniciais foram feitos usando a bactéria Mycobacterium smegmatis. A M. smegmatis é usada nos testes por ser uma espécie próxima à M. tuberculosis e por ser letal em ratos, mas inofensiva aos humanos.

Os cientistas criaram uma versão da M. smegmatis sem um ‘pacote’ de genes chamado ESX-3, essencial para que a bactéria passe ilesa pelo sistema imunológico do hospedeiro. Injetada em altas concentrações nos camundongos, a bactéria sem o ESX-3 não conseguiu iludir as células de defesa do organismo, que acabaram com a infecção.

Mas o mesmo artifício não funcionou quando o ESX-3 foi retirado da M. tuberculosis. A saída encontrada foi tirar o pacote ESX-3 da M. tuberculosis e inserir na M. smegmatis. Essa M. smegmatis alterada novamente funcionou levando o corpo a combater a infecção. Oito semanas depois, os camundongos receberam altas doses de M. tuberculosis — capaz de matar tanto os animais como os seres humanos. Resultado: os  camundongos vacinados viveram por mais 135 dias, contra 54 dos não-vacinados. "Os animais que viveram por mais de 200 dias ficaram totalmente livres da bactéria, algo nunca visto antes", afirmou William Jacobs, autor do estudo e professor de microbiologia e imunologia e genética da Faculdade de Medicina Albert Einstein.

O próprio professor Jacobs, contudo, ressalta o fato de que apenas um a cada cinco camundongos apresentou uma boa resposta do sistema imunológico, indicando que a mais pesquisas precisam ser feitas antes da vacina ser considerada eficaz. "Não sabemos se ela vai funcionar em humanos, mas com certeza é um passo significativo na busca por uma vacina mais eficiente contra a tuberculose."

A vacina BCG (Bacille Calmette-Guérin) contra a tuberculose é usada em seres humanos desde 1921, mas sua eficácia sempre foi questionada. Ela é bastante eficiente em evitar a tuberculose miliar, que gera a meningite tuberculosa, uma inflamação das membranas que revestem a medula espinhal e o cérebro, mas pouco eficaz contra a forma pulmonar da doença. Por ano, segundo a OMS, a tuberculose mata 1,7 milhão de pessoas.

A pesquisa é importante por, além de tentar criar uma forma de imunizar as pessoas contra a tuberculose pulmonar, ter a possibilidade de ser a base de vacinas contra a hanseníase e outras formas agressivas de micobactérias.

Maiores informações sobre tuberculose (in english):

Nature News: Specials - Tuberculosis

Nature Medicine: Focus on Tuberculosis

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Campanha nacional de vacinação contra a raiva canina e felina

Notícia de Carolina Pimentel, veiculada no caderno Ciência e Tecnologia do Jornal do Brasil de 01/09/2011 (íntegra aqui).

Ministério importa 10 milhões de doses de vacina contra raiva para cães e gatos

O Ministério da Saúde importou 10 milhões de doses para vacinar cães e gatos contra a raiva. A compra emergencial foi feita para não atrasar a imunização dos animais nos estados com risco de registro da doença. De acordo com o Ministério, a pasta requisitou novos testes da vacina produzida pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), responsável por fornecer 32 milhões de doses. As análises foram solicitadas para evitar mortes e reações adversas nos animais como em 2010, quando foram notificados 637 casos. Do total, 41,6% foram mortes ou alergias graves, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na época, a vacina era fabricada pelo laboratório Bio-Vet, proibida de ser usada na campanha deste ano. 

Com os novos testes, o Tecpar atrasou o fornecimento das doses, que deveriam ter sido entregues às secretarias estaduais de Saúde a partir de maio.

O Ministério definiu estados com preferência para receber a vacina importada. Os primeiros foram o Ceará e o Maranhão, que registraram casos de raiva humana no ano passado e em 2011, respectivamente. Os demais são Pernambuco, o Pará, o Piauí, o Rio Grande do Norte, a Paraíba, a Bahia, Alagoas, Sergipe e Mato Grosso do Sul, por terem notificado casos de raiva canina nos últimos três anos.

Rio Grande do Sul e Santa Catarina são os únicos estados que ficam de fora da vacinação, pois não registram a circulação do vírus da raiva.

 

Mais sobre Raiva:

No blog: clique em Raiva

World Rabies Day: http://www.worldrabiesday.org/pt/home.html
Raiva Online: http://www.pasteur.saude.sp.gov.br/online/online.htm

Doenças negligenciadas e pespectiva de vacina: leishmaniose, dengue e malária

A amiga Adriana Guercio postou no Facebook o link desta notícia - que tomei emprestado para o blog. Segue a matéria de Renato Grandelle publicada no extra.globo.com em 30 - 31/08/2011 (link aqui).

Malária, dengue e leishmaniose terão vacinas em até dez anos

Esquecidas pela indústria farmacêutica, mas capazes de fazer milhões de vitimas mundo afora, doenças como malária, dengue e leishmaniose podem ganhar vacinas em até dez anos. Este é o objetivo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas, que encerra hoje um seminário de três dias no Rio.

Três anos atrás, o órgão, que reúne pesquisadores da Fiocruz, UFRJ, USP e UFMG, assumiu como objetivo o estudo de mecanismos de defesa contra as chamadas doenças negligenciadas. Os trabalhos desenvolvidos desde então seguem avançados — alguns já fazem testes em primatas, última etapa antes de levar os experimentos para testes em humanos. Mas, para prosseguir os estudos pelos próximos dois anos, será necessário um financiamento de R$ 12,5 milhões do Governo Federal. "Só agora, com o desenvolvimento dos países em que essas doenças são comuns, o interesse de algumas companhias farmacêuticas aumentou" - explica Ricardo Gazzinelli, pesquisador do Centro de Pesquisas René Rachou. "Foi constatado, enfim, que existe um mercado".

A leishmaniose é a doença com resultados mais avançados. Desde 2008 está disponível uma vacina para cães - contaminados pelo mosquito-palha, o mesmo que, logo depois, infecta também o homem.
"O cão é o reservatório dos parasitas" - explica Ana Paula Fernandes, bióloga da Faculdade de Farmácia da UFMG. "Conduzimos uma série de estudos para comparar os antígenos, as substâncias que desencadeiam a produção de anticorpos, e um deles se destacou na produção de uma resposta imune". Para uso em humanos, a vacina teria de passar por adaptações. E a mudança é urgente. Até a década de 90, quase todos os casos ocorriam no Nordeste. Hoje, aquela região responde por apenas metade das ocorrências. A doença avançou para estados onde nunca havia sido registrada antes, como Minas Gerais, Goiás e Espírito Santo. "Está praticamente fora de controle" - diz Ana Paula. "Essa expansão deve-se à migração das famílias, que levam cães infectados, e à urbanização e ao desmatamento, que fazem o mosquito-palha multiplicar-se com ainda mais facilidade".

A doença causa febre prolongada e provoca anemia, tosse, diarreia e perda de peso. Cerca de 20 mil pessoas são infectadas anualmente pela leishmaniose no Brasil. Um número muito inferior ao da dengue - que, na epidemia de 2008, deixou mais de 1 milhão de vítimas. O desafio é produzir uma vacina que proteja dos quatro sorotipos virais, todos já em circulação no país. Um dos rumos estudados é a imunização combinada de vacinas de DNA e um vírus quimérico - formado por pedaços de mais de um vírus. No caso, daqueles responsáveis pela febre amarela e pela dengue. "No Brasil, já temos tradição na produção de febre amarela" - lembra Myrna Bonaldo, bióloga e pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz. "Estamos observando, nos primatas, como cada sorotipo se prolifera e se um deles é dominante".

Na malária, a diversidade de “raças” também é um desafio para os pesquisadores. Ou seja, uma vacina contra o Plasmodium vivax, que infecta até 400 milhões de pessoas anualmente no mundo, teria de abranger todas as cepas de parasitas descritas. Quatro proteínas estão sendo desenvolvidas e foram apontadas como possíveis candidatas a esta vacina universal. A doença, letal em muitos casos, provoca febre alta, dores de cabeça e hemorragias.

Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas

O INCTV trabalha com seis grandes temas de pesquisa: desenvolvimento de vacinas contra dengue, influenza, doença de Chagas, leishmaniose, leptospirose, malária (Plamodium vivax) e toxoplasmose.