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sábado, 5 de março de 2016

Microcefalia relacionada ao Zikavirus - atualização Brasil

[Extraído do Portal Saúde]

Saúde investiga 4.222 casos suspeitos de microcefalia no país

Estão sendo investigados todos os casos de microcefalia e outras alterações do sistema nervoso central, inclusive a possível relação com o vírus Zika e outras infecções congênitas

O Ministério da Saúde e os estados investigam 4.222 casos suspeitos de microcefalia em todo o país. Isso representa 71,5% dos casos notificados. O novo boletim divulgado nesta terça-feira (1º) aponta, também, que 1.046 notificações já foram descartadas e 641 confirmadas para microcefalia e outras alterações do sistema nervoso, sugestivos de infecção congênita. Ao todo, 5.909 casos suspeitos de microcefalia foram registrados até 27 de fevereiro.

quinta-feira, 3 de março de 2016

Surto de Síndrome de Guillain-Barré associada à infecção pelo vírus Zika na Polinésia Francesa: um estudo de caso-controle

Surto de Síndrome de Guillain-Barré associada à infecção pelo vírus Zika na Polinésia Francesa: um estudo de caso-controle - Van-Mai Cao-Lormeau e col.
Fonte: Lancet [29/02/2016] [editado] 

[Tradução livre]
Resumo
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Background
Entre outubro de 2013 e abril de 2014, a Polinésia Francesa apresentou o maior surto de vírus Zika já descrito até o momento. Durante o mesmo período, um aumento da síndrome de Guillain-Barré foi relatada, sugerindo uma possível associação entre o vírus Zika e síndrome de Guillain-Barré. Nosso objetivo foi avaliar o papel do vírus Zika e a infecção pelo vírus da dengue no desenvolvimento de síndrome de Guillain-Barré.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Sobre a especificidade dos vírus


Estes dias estava conversando com uma amiga veterinária e surgiu a seguinte questão: os vírus da Dengue e Zika são capazes de infectar cães e gatos e causar doença clínica? Bem, a resposta é “ainda não”. Por quê “ainda não”? Em poucas palavras, porque estes vírus não têm receptores para as células de cães e gatos e ainda não mutaram o suficiente para desenvolver a capacidade de se ligarem a receptores celulares destas espécies. Isso também não significa que mutarão. De qualquer maneira, a virologia molecular é uma “caixinha de surpresas” e, até o momento, não existe cão e gato com Dengue, Zika ou Chikungunya.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Emergência mundial para Zika

Alice Vitoria Gomes Bezerra, a 3-month-old Brazilian girl with microcephaly, is held by her father. In the last four months, authorities have recorded close to 4,000 cases in Brazil in which the mosquito-borne Zika virus may have led to microcephaly in infants. (Mario Tama/Getty Images) - Publicado no PresentNation
Está acontecendo neste momento a reunião do Comitê de Emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS) / World Health Organization (WHO) para decidir sobre a declaração de emergência mundial para Zika. Se a emergência mundial for declarada, isso significa que todos os países-membros da OMS deverão adotar esforços conjuntos e as recomendações da Organização para o enfrentamento da doença e o gerenciamento do risco de introdução. Isso me emociona muito, ainda mais sob os boatos infinitos de que as consequências neurológicas em fetos e recém-nascidos teriam vínculo com vacinas (??), e outras teorias mais sem sentido ainda.

[ATUALIZAÇÃO: SIM, FOI DECLARADA A EMERGÊNCIA MUNDIAL EM SAÚDE PÚBLICA PARA ZIKA!]

Ao meu ver, além do trabalho incansável dos médicos, infectologistas e cientistas, esta entrevista publicada no The Guardian em 28 de janeiro/2016 deixa bem claro que a situação não é uma "brincadeira vacinal":


Informações da OMS / WHO sobre Zika:

domingo, 31 de janeiro de 2016

(NÃO MANTENHA) larvas de Aedes em casa

[Opinião]
Ok. Vamos falar sobre depósitos de ovos de Aedes. Sobre deixar o pote cheio de água só para ter um lindo berçário cheio de bebês-Aedes bem pertinho de você, ou sobre deixar para recolher a sujeira do seu quintal depois que as moscas fizerem a oviposição, pois é melhor que as larvas de mosca se desenvolvam lá no lixo, não é?
Amigos, por favor. Precisamos de clareza!!!!!!
Essa estratégia de ter "berçário de larvas" seria ótima se as pessoas já cuidassem de seus próprios quintais e se elas não tivessem mais nada o que fazer da vida, a não ser cuidar para ver se a fêmea de Aedes já depositou os ovinhos lá. A Páscoa está chegando mas esses ovinhos NÃO são de chocolate e a surpresa não será um brinquedo.
As pessoas NÃO cuidam de seus quintais. As pessoas NÃO fazem a lição de casa, NÃO deixam o agente de saúde entrar, NÃO se mexem. As pessoas reclamam do vizinho, reclamam do governo e reclamam que as contas estão caras - mas continuam devendo no comércio da esquina.
Quem trabalha com Aedes e controle de quaisquer vetores sabe o quão rápido estes se adaptam a novos ambientes ou desafios, e quem trabalha com extensão sabe que o problema do depósito de água é bem pior: tem alta densidade demográfica, péssimo saneamento (quanto tem!), baixo nível educacional, vive mal, come mal, mora mal e o salário é tão baixo quanto a capacidade da cidade em suprir a desigualdade social.
Convenhamos que o combate a vetores (Aedes, Lutzomyia e outros tantos...) vai muito além da questão "limpinho". Não é possível realizar controle de vetores (veja bem: CONTROLE) sem ações integradas, contínuas e coletivas. Este país é tropical, desigual e, infelizmente, preguiçoso demais. Não é só o cidadão, o poder público, o setor privado, os empregadores, as escolas públicas e privadas, as igrejas, os presidentes de bairro... o engajamento deveria ser 100%. Aí sim, poderíamos ter criadouros monitorados dentro de casa e ainda comparar os dados com os vizinhos. Imagina que bacana seria esse paper?

segunda-feira, 7 de dezembro de 2015

A emergência de uma das maiores epidemias do Brasil veiculada pelo Aedes e outros culicídeos: Zika vírus, Chikungunya e outras arboviroses


A emergência de uma das maiores epidemias do Brasil veiculada pelo Aedes e outros culicídeos: Zika vírus, Chikungunya e outras arboviroses

Profa. Juliana Arena Galhardo
Médica Veterinária
Zoonoses e Saúde Pública – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul


Infelizmente em nosso país as ações em saúde têm sido conduzidas “sob demanda”, ou seja, quando há emergências em saúde pública, ou quando há acordos assumidos principalmente com as organizações internacionais, como a Organização Mundial do Comércio, Organização Mundial de Saúde a Organização Mundial de Saúde Animal. Vivemos em um país de economia emergente e, apesar de estarmos em momento de séria crise político-econômica, esse status do Brasil em relação aos países membros da Organização das Nações Unidas nos torna economicamente mais ‘próximos’ dos países de clima temperado, que enfrentam sobretudo enfermidades crônicas não transmissíveis, mas no mundo real estamos em fase de transição epidemiológica, também sofrendo com as doenças crônicas não transmissíveis, porém em área tropical e altamente receptiva a doenças infecciosas e parasitárias. O fluxo de pessoas tem aumentado exponencialmente no mundo, sejam missões comerciais, turistas, atletas ou imigrantes, então cada indivíduo é um potencial “traficante” de doenças e, claramente, no Brasil não estamos preparados para detectar as novas ameaças pois não ‘conseguimos’ controlar as já endêmicas.
Já tarda a implantação de ações coordenadas para o enfrentamento de problemas de saúde[1] no Brasil, coordenadas em prol da sociedade brasileira e não em prol da ganância: interesses próprios, comerciais ou de bases partidárias. O direito à saúde é garantido pela Constituição Federal de 1988, ‘a saúde é um direito de todos e um dever do Estado...’, porém com a corresponsabilidade das pessoas, da família, das empresas e da sociedade (Lei Federal no 8.080 de 19 de setembro de 1990). Toda a sociedade brasileira DEVE ser esclarecida e DEVE se envolver diretamente nas questões pertinentes ao país, e assumir sim seu papel de protagonista para que quaisquer ações estabelecidas sejam realmente eficazes. Vivemos sob o regime de Estado Democrático de Direito porém, infelizmente, ainda sofremos as consequências da época da ditadura: o povo brasileiro permanece passivo, não envolvido, sem conhecimento e, portanto, sem capacidade de reivindicação e argumentação, como consequência direta da precarização da educação. Façamos então nosso papel de informar e propor / executar soluções.
Tristemente neste momento é mais que urgente a necessidade de ações “sob demanda”, transversais ou emergenciais, mas as ações longitudinais devem também ser coordenadas desde já para que o sistema de saúde tenha maior sensibilidade na detecção de casos e, consequentemente, ações de planejamento em saúde.


O PROBLEMA

Para enfrentar as arboviroses é necessário conhecer profundamente os “inimigos”, incluindo todos os aspectos epidemiológicos dos agentes, hospedeiros, ambiente e vetores, a fim de determinar os pontos-chave da epidemiologia das doenças para executar ações individuais e coletivas com o melhor custo-benefício para a sociedade.

Sobre as arboviroses

            Arboviroses são doenças causadas por vírus e transmitidas por artrópodes, portanto quem faz ativamente a transmissão do vírus é o vetor. O termo ‘arbovírus’ vem do inglês “vírus veiculados por artrópodes” - ARrthropod BOrne virus – e os artrópodes são uma Classe de animais que inclui insetos, crustáceos, aranhas, ácaros e outros, mas nem todos estão envolvidos nos ciclos de transmissão das arboviroses. Para os arbovírus abordados neste texto os principais artrópodes vetores são mosquitos.