A emergência de uma das maiores epidemias
do Brasil veiculada pelo Aedes e
outros culicídeos: Zika vírus, Chikungunya e outras arboviroses
Profa. Juliana Arena
Galhardo
Médica Veterinária
Zoonoses e Saúde
Pública – Universidade Federal de Mato Grosso do Sul
Infelizmente em nosso país as ações em saúde têm sido
conduzidas “sob demanda”, ou seja, quando há emergências em saúde pública, ou
quando há acordos assumidos principalmente com as organizações
internacionais, como a Organização Mundial do Comércio, Organização Mundial de
Saúde a Organização Mundial de Saúde Animal. Vivemos em um país de economia
emergente e, apesar de estarmos em momento de séria crise político-econômica,
esse status do Brasil em relação aos
países membros da Organização das Nações Unidas nos torna economicamente mais
‘próximos’ dos países de clima temperado, que enfrentam sobretudo enfermidades
crônicas não transmissíveis, mas no mundo real estamos em fase de transição
epidemiológica, também sofrendo com as doenças crônicas não transmissíveis,
porém em área tropical e altamente receptiva a doenças infecciosas e
parasitárias. O fluxo de pessoas tem aumentado exponencialmente no mundo, sejam
missões comerciais, turistas, atletas ou imigrantes, então cada indivíduo é um
potencial “traficante” de doenças e, claramente, no Brasil não estamos
preparados para detectar as novas ameaças pois não ‘conseguimos’ controlar as
já endêmicas.
Já tarda a implantação de ações coordenadas para o
enfrentamento de problemas de saúde
no
Brasil, coordenadas em prol da sociedade brasileira e não em prol da ganância:
interesses próprios, comerciais ou de bases partidárias. O direito à saúde é
garantido pela Constituição Federal de 1988, ‘a saúde é um direito de todos e
um dever do Estado...’, porém com a corresponsabilidade das pessoas, da
família, das empresas e da sociedade (Lei Federal n
o 8.080 de 19 de
setembro de 1990). Toda a sociedade brasileira DEVE ser esclarecida e DEVE se
envolver diretamente nas questões pertinentes ao país, e assumir sim seu papel
de protagonista para que quaisquer ações estabelecidas sejam realmente
eficazes. Vivemos sob o regime de Estado Democrático de Direito porém,
infelizmente, ainda sofremos as consequências da época da ditadura: o povo
brasileiro permanece passivo, não envolvido, sem conhecimento e, portanto, sem
capacidade de reivindicação e argumentação, como consequência direta da
precarização da educação. Façamos então nosso papel de informar e propor /
executar soluções.
Tristemente neste momento é mais que urgente a necessidade
de ações “sob demanda”, transversais ou emergenciais, mas as ações
longitudinais devem também ser coordenadas desde já para que o sistema de saúde
tenha maior sensibilidade na detecção de casos e, consequentemente, ações de planejamento
em saúde.
O PROBLEMA
Para enfrentar as arboviroses é necessário conhecer
profundamente os “inimigos”, incluindo todos os aspectos epidemiológicos dos
agentes, hospedeiros, ambiente e vetores, a fim de determinar os pontos-chave
da epidemiologia das doenças para executar ações individuais e coletivas com o
melhor custo-benefício para a sociedade.
Sobre as arboviroses
Arboviroses são doenças causadas por
vírus e transmitidas por artrópodes, portanto quem faz ativamente a transmissão
do vírus é o vetor. O termo ‘arbovírus’ vem do inglês “vírus veiculados por
artrópodes” - ARrthropod BOrne virus – e os artrópodes são uma Classe de
animais que inclui insetos, crustáceos, aranhas, ácaros e outros, mas nem todos
estão envolvidos nos ciclos de transmissão das arboviroses. Para os arbovírus
abordados neste texto os principais artrópodes vetores são mosquitos.