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quarta-feira, 10 de janeiro de 2018

Sobre o adolescente amazonense e a cura da raiva

Ano passado (2017) um sem-número de pessoas que vivem na Reserva Extrativista da Comunidade Tapira do Rio Unini em Barcelos-AM (mais de 400 Km de distância de Manaus) estavam sob risco de raiva transmitida por morcegos hematófagos. Na mesma família, TRÊS irmãos foram infectados. Dois morreram. Mateus Castro, de 14 anos, sobreviveu "graças ao Protocolo de Milwalkee". Este protocolo ainda é experimental, sendo utilizado em casos de raiva humana em que não houve o devido tratamento profilático pós-exposição (soro antirrábico e quatro doses de vacina antirrábica - nos dias 0, 3, 7 e 14 - no caso da mordedura por morcegos).  Quando um caso de raiva humana chega à cura, significa que o paciente, além de sobreviver, também não possui mais o vírus em seu sistema nervoso central. Mas veja, o vírus da raiva já tinha chegado lá no cérebro. Já causou danos, muitas vezes irreversíveis. O que será deste menino no "pós-raiva"? Será mais um brasileiro curado, um sucesso para a medicina, porém mais um "Marciano"? 

Marciano Menezes da Silva foi o primeiro brasileiro curado da raiva, em 2008. No ano de 2007 ele foi agredido por morcego, não recebeu a profilaxia antirrábica pós-exposição, porém recebeu o Protocolo de Milwalkee modificado ou Protocolo de Recife. UM PACIENTE BRASILEIRO SOBREVIVEU À RAIVA!!!! Mas como está sobrevivendo hoje, de volta ao sertão de Pernambuco? Como é a assistência "pós-raiva" em Floresta-PE? Me pergunto várias vezes "o que é sobreviver à raiva?". Conforme a reportagem de 2016, Marciano disse que seu "maior sonho é voltar a andar". O que é sobreviver?
Este conteúdo foi produzido pelo Sistema Jornal do Commercio de Comunicação. Para compartilhar, use o link http://noticias.ne10.uol.com.br/interior/sertao/noticia/2016/07/27/oito-anos-depois-unico-brasileiro-curado-da-raiva-humana-vive-em-condicoes-precarias-628353.php

Voltando a Barcelos-AM, não custa lembrar que foram necessárias DUAS MORTES de irmãos para que a população sob risco finalmente tivesse acesso à profilaxia. Os óbitos foram registrados em Manaus em 02 e 16 de novembro e só no dia 05 de dezembro as doses de vacina e soro chegaram a Barcelos! Pensando que o período de incubação médio da raiva em humanos é de aproximadamente 45 dias, é possível que esta família tenha sido agredida pelos morcegos e infectada com o vírus da raiva ainda em AGOSTO ou SETEMBRO. E a profilaxia para a comunidade chegou em DEZEMBRO. Foram necessárias duas mortes na mesma família para que os órgãos de saúde se mobilizassem de verdade, com praticamente quatro meses de atraso. É desanimador tamanho descaso!

A região amazônica é rica em biodiversidade porém também está sob a ameaça constante de desequilíbrios ambientais. Um estudo de 1980 já falava da importância epidemiológica de morcegos hematófagos na região, já alertando que "concernente à prevenção da raiva humana é a criação acidental de micro-habitats para morcegos hematófagos na forma de áreas preservadas com abrigos adequados na colonização de regiões florestais onde a raiva silvestre é prevalente", e enfatizando as características ecológicas que podem favorecer a permanência destes nas áreas habitadas por humanos. A Reserva Extrativista da Comunidade Tapira do Rio Unini em Barcelos-AM talvez nem seja tão preservada assim e, para que os hematófagos optem por atacar pessoas, é bem possível que haja falta de alimento melhor para os morcegos, ou seja, pela falta de outras espécies animais os morcegos passaram a espoliar pessoas. Imagine a falta de estrutura de um local desses? Onde nem a saúde chegou oportunamente?!

Também não custa lembrar que ainda em 2017 as cidades de Salvador-BA e Recife-PE foram focos de raiva em morcegos hematófagos (que nem deveriam habitar áreas urbanas!! Veja o desequilíbrio ambiental!) e em Recife ocorreu um óbito humano devido à variante do vírus da raiva que circula em morcegos hematófagos (variante 3), porém transmitida por um gato. O gato havia entrado em contato com o morcego, foi infectado com o vírus da raiva e acabou transmitindo a doença para a pessoa através de mordedura. A pessoa não buscou atendimento oportunamente... Óbito.

Mais lembranças de 2017, tivemos a modificação no protocolo da vacina antirrábica pós-exposição, que era de cinco doses e passou a ser de quatro. É óbvio que a justificativa são os "estudos recentes comprovando que quatro doses já são suficientemente protetoras", não precisa mais da quinta dose.  Nada disso tem a ver com o desabastecimento de vacinas e a crise na produção de imunobiológicos, incluindo soro antiofídico, soro antirrábico, vacina de febre amarela, vacina antirrábica... Não, nada tem a ver com isso! Até mesmo o novo protocolo da vacina de febre amarela, que era uma dose a cada 10 anos se tornou esta mesma dose para a vida toda! E em 2018 podemos fazer apenas 1/4 da dose que protegerá por 8 anos! Fantástico! Mas são os estudos recentes que indicam isso. Estamos seguros e podemos ficar tranquilos com os novos protocolos de imunização! E pensar que o Brasil já foi referência em imunização! Que saudade do PNI!

Lembrando também que 2017 foi o ano da "revolta" da sífilis, não só pela falta de cuidados e uso de preservativos pelas pessoas mas também pela falta de penicilina para tratar os pacientes! E o brasileiro segue não se protegendo, não se prevenindo e NÃO SE TRATANDO. Ou porque não sabe, ou porque NÃO TEM!

E assim segue nosso sistema nada preventivo, totalmente assistencial, com o perfil de "apagar incêndios" da saúde. São tantos os exemplos, como a raiva canina em Corumbá-MS, a febre amarela no Sudeste, a entrada do Zika e a explosão do Chikungunya... e tantos outros. Infelizmente isso deixa claro que nossos gestores estão mais preocupados com a "política" do que com o cidadão ou a gestão da saúde.

Guarde este rosto. Este é Mateus Castro antes da raiva. (Foto da reportagem do G1)


quarta-feira, 10 de maio de 2017

Cuidados com animais: entrevista à Rádio Educativa UFMS

Ir à rádio UFMS é sempre muito bom! Volto sempre mesmo!

A conversa do primeiro bloco começou com os cuidados com cães e gatos na época de frio, depois falamos sobre manter aves domésticas em casa, entramos em "doenças zoonóticas", chegamos em posse responsável.

No segundo bloco o assunto foi, claro, leishmanioses - leishmaniose visceral, leishmaniose tegumentar, prevenção e Projeto LeishNão.

Os dois blocos estão disponíveis no site da Rádio: https://educativa.ufms.br/01-05-2017/

quinta-feira, 3 de março de 2016

Surto de Síndrome de Guillain-Barré associada à infecção pelo vírus Zika na Polinésia Francesa: um estudo de caso-controle

Surto de Síndrome de Guillain-Barré associada à infecção pelo vírus Zika na Polinésia Francesa: um estudo de caso-controle - Van-Mai Cao-Lormeau e col.
Fonte: Lancet [29/02/2016] [editado] 

[Tradução livre]
Resumo
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Background
Entre outubro de 2013 e abril de 2014, a Polinésia Francesa apresentou o maior surto de vírus Zika já descrito até o momento. Durante o mesmo período, um aumento da síndrome de Guillain-Barré foi relatada, sugerindo uma possível associação entre o vírus Zika e síndrome de Guillain-Barré. Nosso objetivo foi avaliar o papel do vírus Zika e a infecção pelo vírus da dengue no desenvolvimento de síndrome de Guillain-Barré.

domingo, 21 de fevereiro de 2016

Sobre a especificidade dos vírus


Estes dias estava conversando com uma amiga veterinária e surgiu a seguinte questão: os vírus da Dengue e Zika são capazes de infectar cães e gatos e causar doença clínica? Bem, a resposta é “ainda não”. Por quê “ainda não”? Em poucas palavras, porque estes vírus não têm receptores para as células de cães e gatos e ainda não mutaram o suficiente para desenvolver a capacidade de se ligarem a receptores celulares destas espécies. Isso também não significa que mutarão. De qualquer maneira, a virologia molecular é uma “caixinha de surpresas” e, até o momento, não existe cão e gato com Dengue, Zika ou Chikungunya.

segunda-feira, 1 de fevereiro de 2016

Emergência mundial para Zika

Alice Vitoria Gomes Bezerra, a 3-month-old Brazilian girl with microcephaly, is held by her father. In the last four months, authorities have recorded close to 4,000 cases in Brazil in which the mosquito-borne Zika virus may have led to microcephaly in infants. (Mario Tama/Getty Images) - Publicado no PresentNation
Está acontecendo neste momento a reunião do Comitê de Emergência da Organização Mundial de Saúde (OMS) / World Health Organization (WHO) para decidir sobre a declaração de emergência mundial para Zika. Se a emergência mundial for declarada, isso significa que todos os países-membros da OMS deverão adotar esforços conjuntos e as recomendações da Organização para o enfrentamento da doença e o gerenciamento do risco de introdução. Isso me emociona muito, ainda mais sob os boatos infinitos de que as consequências neurológicas em fetos e recém-nascidos teriam vínculo com vacinas (??), e outras teorias mais sem sentido ainda.

[ATUALIZAÇÃO: SIM, FOI DECLARADA A EMERGÊNCIA MUNDIAL EM SAÚDE PÚBLICA PARA ZIKA!]

Ao meu ver, além do trabalho incansável dos médicos, infectologistas e cientistas, esta entrevista publicada no The Guardian em 28 de janeiro/2016 deixa bem claro que a situação não é uma "brincadeira vacinal":


Informações da OMS / WHO sobre Zika:

sábado, 13 de abril de 2013

H7N9 - a nova versão da influenza aviária


Olá pessoal,

Estaremos na iminência de uma nova pandemia? Bem, enquanto não for comprovada a transmissão humano-humano do Influenza A(H7N9) ainda há podemos seguir tranquilos. A China está sob alerta geral e não podemos deixar de acompanhar a eco-evolução deste importante evento epidemiológico!

quinta-feira, 4 de abril de 2013

Video [BBC]: Por que os vírus matam?


Procurando por videos para ilustrar as aulas, encontrei no YouTube este maravilhoso material produzido pela BBC - Horizon (2010): Why do viruses kill? Excelente conteúdo, dividido em seis partes, falando sobre virologia básica - composição viral, virulência, patogenicidade, mutação e também

quinta-feira, 3 de janeiro de 2013

Nota Técnica sobre a vigilância da Febre Amarela no Brasil

Olá pessoal! Antes de mais nada, FELIZ 2013! E que este ano seja repleto de razões para comemorar!

Para iniciar os trabalhos, segue a Nota Técnica do Ministério da Saúde sobre a vigilancia de Febre Amarela: "Alerta aos serviços de saúde sobre a importância de intensificar a vigilância da
Febre Amarela Silvestre durante o período sazonal no Brasil."

segunda-feira, 19 de novembro de 2012

Oficina: Estudos Epidemiológicos em Situação de Risco com foco em Investigação de Surto das Principais Doenças de Interesse em Saúde Pública

Olá pessoal,

Recebi hoje o seguinte convite da Dra. Gislaine Brandão Voelho, da Secretaria de Estado de Saúde - MS:

Informo que nos dias 28 a 30 de novembro de 2012 a Secretaria de Estado de Saúde de Mato Grosso do Sul promoverá em parceria com o CRMV/MS a oficina "Estudos Epidemiológicos em Situação de Risco com foco em Investigação de Surto das Principais Doenças de Interesse em Saúde Pública" no Eco Hotel do Lago - Campo Grande/MS.

sexta-feira, 6 de abril de 2012

Vírus "Schmallenberg" na Europa - investigação epidemiológica

Schmallenberg, Alemanha
Disponível em: http://www.plz-postleitzahl.de/land.nordrhein-westfalen/schmallenberg/index.html
Com a quebra da moeda européia, a população sofre com desemprego, fome... e embargo econômico frente a exportações de carne também. O vírus Schmallenberg (SBV), descoberto em novembro de 2011 na cidade de Schmallenberg - Alemanha, pertence à família Bunyaviridae, gênero Orthobunyavirus, e é um arbovírus "primo" do Oropouche. Este vírus foi associado ao grupo dos "reprodutivos", levando a malformações fetais e natimortos. Acomete bovinos, ovinos e caprinos e já foi detectado, além da Alemanha, na Bélgica, Holanda, França, Luxemburgo, Itália, Espanha e Reino Unido.  

A figura abaixo foi publicada em 25/03/12 no blog Fire Earth, que faz o countdown para a "vingança da mãe natureza" - sensacionalismo puro - mas vale para ilustrar como está a situação epidemiológica, investigação e casos notificados (dados obtidos de fontes confiáveis).

Disponível em: http://feww.wordpress.com/2012/03/25/schmallenberg-virus-outbreak-update-march-25/


Em notícia veiculada pelo ProMED ontem (05/04/12 - íntegra abaixo), a boa notícia é que métodos de diagnóstico sorológico estão sendo desenvolvidos e um ELISA indireto acaba de "sair do forno" da agência francesa ANSES (Maisons-Alfort, France). Este ELISA utiliza como antígeno uma nucleoproteína viral recombinante do SBV, desenvolvida e produzida pela IDvet. O kit ainda está em fase de avaliação pelos laboratórios de referência europeus, mas pelos testes na França pareceu ser uma excelente alternativa para os inquéritos soroepidemiológicos, até o momento realizados através de virusneutralização e imunofluorescência indireta - técnicas que realmente tomam tempo para serem executadas. De acordo com a agência francesa, o ELISA apresentou especificidade de 99,75% e alta correlação com virusneutralização (98,9%). Outros kits estão em desenvolvimento, já que a urgência quanto à detecção dos portadores é grande - e há muito o que ser desvendado sobre a epidemiologia desta doença. E lá vamos nós, ao bom e velho "cross-sectional study"!!

Aguardemos outras novidades...

Outra coisa: NÃO FOI CONFIRMADO COMO ZOONOSE!!!! No panic, people (yet)!



Disponível em: http://www.toonpool.com/cartoons/Schmallenberg%20Virus_154575


Published Date: 2012-04-05 21:57:09
Subject: PRO/AH> Schmallenberg virus - Europe (33): serology
Archive Number: 20120405.1091807
SCHMALLENBERG VIRUS - EUROPE (33): SEROLOGY
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A ProMED-mail post
http://www.promedmail.org
ProMED-mail is a program of the
International Society for Infectious Diseases
http://www.isid.org
Date: Thu 5 Apr 2012 
From: Emmanuel Breard [edited]  
Schmallenberg virus (SBV) is a vector-transmitted orthobunyavirus related to the Shamonda and Akabane viruses. Initially reported in November 2011, it has since been detected in Germany, the Netherlands, Belgium, France, Luxembourg, Italy, the United Kingdom and Spain, where it has been associated with foetal congenital malformations and stillbirths in cattle, sheep, and goats. 
Serological testing is essential for disease surveillance and epidemiological studies. While antibodies can be detected by virus neutralization and immunofluorescence, these techniques are time-consuming, difficult to implement for large numbers of samples, and do not offer standardized result interpretation. 
This week, the animal health laboratory of the French agency ANSES (Maisons-Alfort, France), after a  collaborative study, has approved an indirect ELISA, based on a recombinant SBV nucleoprotein  antigen developed and produced by IDvet. This kit is currently being evaluated by other European national reference laboratories. External validation studies indicate excellent test specificity (99.75 percent, n=1179), and high correlation with other serological techniques (98.9 percent with respect to VNT), making this ELISA an efficient tool for epidemiological studies. 

Stephan Zientara, Emmanuel Breard, Corinne Sailleau Virology unit ANSES-INRA-ENVA, Animal Health Laboratory, 94703 Maisons-Alfort, France. -- Communicated by: Emmanuel Breard ANSES LNR FCO/EHD 94703 Maisons-Alfort 

[The above message, received from ANSES (the French Agency for Food, Environmental and Occupational Health & Safety, a public authority reporting to the Ministries of Health, Agriculture, 
the Environment, Labour and Consumer Affairs, founded in 2010), may become good news. ProMED-mail's normal policy is not to be engaged in reports dealing with commercial products; 
the current deviation from the policy is based upon the urgent need for such a test (as expressed by the OIE on 16 Feb 2012), and the kit is not endorsed by us. If/when certified for field use, such kits may facilitate the performance of animal mass-testing in the 8 infected countries and elsewhere to study the epidemiology of SBV as well as to support safe international trade. A validated serological test may allow an update of the recommendations endorsed by the OIE Scientific Commission for Animal Diseases on 16 Feb 2012 (see 20120217.1045067). Development of sero-tests for SBV has been undertaken by other laboratories as well. 
In this context, we would wish to convey to our subscribers the response of the Robert Koch Institute in Germany to our commentary in posting 20120402.1088492 concerning cross-sectional seroprevalence study in shepherds living in the epidemic area in Germany (North-Rhine Westphalia). Reportedly, the RKI developed an immunofluroscence test (IFAT) and a neutralisation test (NT) for SBV tests in humans. IFAT was performed initially and NT in case of borderline results. All blood samples tested negative for specific antibodies against SBV. In view of this clarification, our suggestion that human sera from  SBV-contact persons "will also undergo serological tests when the test becomes available," was, in fact, redundant. - Mod.AS]

terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Interior de São Paulo em alerta: febre amarela

Notícia Via: Promed-Port <Promed-Port@promedmail.org>
Data: Terça-feira / Martes, 20 de dezembro / diciembre de 2011
Fonte: EPTV [19.12.2011]
<http://eptv.globo.com/araraquara/saude/NOT,3,7,384767,Estado+alerta+para+risco+de+febre+amarela+em+cidades+do+interior+Araraquara.aspx>

Estado alerta para risco de febre amarela em cidades do interior
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Araraquara, Franca e Ribeirão Preto estão entre as áreas prioritárias para a vacinação

A Secretaria de Estado da Saúde divulgou um alerta sobre a
necessidade da vacina contra a febre amarela em algumas regiões do interior de São Paulo. Araraquara está entre as áreas de risco. O aviso do governo estadual tem como foco as pessoas que viajarão de férias às localidades onde há possibilidade de infecção. Porém, quem vive nessas regiões deve ficar atento às orientações dos órgãos de saúde municipais.

Araraquara

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Apesar do alerta, não há motivo para pânico. Segundo Márcia Tereza Barbieri, responsável pelo grupo de Vigilância Epidemiológica de Araraquara, pois não há casos da doença registrados na região recentemente e, desde 2008, a vacinação é realizada regularmente em crianças a partir dos 9 meses de idade. Em Araraquara, a dose está disponível em todas as unidades de saúde, mas, devido ao curto prazo de validade, é aplicada uma ou duas vezes por semana. "O interessado deve ligar ou ir até o posto de saúde mais próximo de casa e verificar em quais dias da semana é aplicada a vacina", avisou Márcia. Quem se vacinou há menos de dez anos não precisa repetir a dose. No ano passado, foram aplicadas 775 vacinas por mês na cidade. Em 2009, a média mensal chegou a 818.

Outras cidades

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A vacina também é indicada para áreas ribeirinhas e de mata da região de Presidente Prudente, Presidente Venceslau, Araçatuba, Jales, São José do Rio Preto, Barretos, Franca, Ribeirão Preto, Bauru, Marília, Assis, Botucatu, Itapeva e parte da região de Sorocaba.

Também são áreas de risco Estados do Centro-Oeste e Norte, Distrito
Federal, Maranhão, Minas Gerais e parte de Bahia, Paraná, Piauí, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Doença

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A febre amarela é uma doença infecciosa viral aguda, transmitida por mosquitos e que pode levar à morte. Os sintomas são febre alta, calafrios, vômitos, dores no corpo, pele e olhos amarelados, sangramentos, fezes com cor de borra de café e diminuição da urina.

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Comunicado por Promed-Port
promed-port@promedmail.org


[Diversas (e não tão recentes) são as discussões vigentes sobre
tornar a vacinação contra febre amarela universal no estado de São Paulo. A favor, estão os casos (incluindo surtos) de febre amarela silvestre ocorridos nos últimos anos no estado, o risco (sempre iminente) de introdução através de casos importados, as elevadas taxas de infestação pelo Aedes..., ou seja, a reurbanização da doença. Contra, sobretudo, o risco da ocorrência de casos de eventos adversos graves (doença viscerotrópica e neurotrópica) e, menos provável (?), a falta de um quantitativo suficiente a ser utilizado de imediato para a vacinação de toda a população.

Enquanto isso, deve-se manter (e incrementar) a vigilância
epidemiológica na busca de casos suspeitos (incluindo-se através da vigilância em síndromes febris hemorrágicas), vigilância de epizootias em primatas não-humanos, enfatizar a necessidade de vacinação a viajantes que se deslocam para áreas endêmicas ... e reduzir a infestação pelo vetor.

Segundo a série histórica (1990 a 2010) de casos de febre amarela no
Brasil, no período analisado foram notificados 687 casos confirmados em todo país; no ano de 2010, foram apenas 2 casos no Brasil.  No estado de São Paulo, houve 32 casos entre 1990 e 2010, sendo 28 apenas em 2009; em 2010 não houve casos confirmados.

Para ter acesso completo aos dados, acesse:

Série histórica, Brasil, 1990-2010:
<http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/tabela_1_fa_2010.pdf
Surto de febre amarela, estado de São Paulo:
<ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/ZOO/Boletim_FASP171209.pdf>.

Para ter acesso último informe técnico sobre as recomendações de
vacinação contra febre amarela elaborado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, acesse:
<ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/ZOO/fa250210_recomendacao.pdf>

Para ter acesso ao mapa que aponta as áreas para as quais há a
recomendação de vacinação, acesse:
<http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/mapa_acrv_asrv_2010_2011_final.pdf>.
- Mod.rna]

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Leishmaniose visceral e PL 1738/2011 - vacinação canina compulsória

Prezados!

Convido a todos à "saborosa" leitura do Projeto de Lei n.1738/2011 que tramita na Câmara dos Deputados sobre a vacinação compulsória de cães contra a leishmaniose, proposto pelo deputado e médico Geraldo Resende (PMDB / MS).

O texto pode ser acessado na íntegra (versão .pdf aqui) e o trâmite pode ser acompanhado diretamente na página do Projeto de Lei (aqui).

Recomendo que leia o Projeto e depois prossiga a leitura do post...

Estamos falando de uma zoonose ultra polêmica cujas ações de controle não têm servido de muita coisa.  Tenho muitas perguntas quanto ao PL e seus efeitos. Eu, particularmente, tenho muita "revolta" quanto à leishmaniose visceral, justamente pela falta de respostas e excesso de perguntas. É necessário pensar muito! É uma doença em que muitos agem mas poucos pensam. Ninguém divulga efeitos reais das ações de controle, isso me preocupa muito. Não será hora de trabalhar no bom e velho controle integrado? Cadê a tríade / cadeia epidemiológica, gente?! PENSEM! Chega de só "apagar fogo" nesse país. Na saúde - pública ou não - só se faz apagar incêndios. Precisamos de ações com início, meio e fim, totalmente planejadas, auditadas e avaliadas! Para montar um projeto de pesquisa a pessoa tem que pensar muito, delinear tudo e prever tudo - para que não haja furos. Por quê não usar esse bom modelo para "desenhar" a saúde pública no Brasil? Não me venham com as conversas de "academia é uma coisa, mundo real é outra". PENSAR é imprescindível! E colocar especialistas para brigar sobre tratamento de leishmaniose em cães definitivamente NÃO é a questão. Especialistas devem deliberar e propor planos inteiros e não apagar fogo ou defender pontos específicos. PENSEM! Não dói nada!

As dúvidas - totalmente pessoais:

- Em que pé estão os testes de vacina anti-Leish - já fizeram todas as etapas? Temos os dados completos da eficácia vacinal, efeitos colaterais, validação...???

- QUAL das vacinas será utilizada - melhor, que laboratório ganhará com essa?
- De onde vem a verba para a campanha?
- Será utilizado o protocolo de teste - sorologia - dos animais (claro, dependendo da vacina utilizada)?
- Em que testes podemos mesmo confiar?
- Quanto às reações cruzadas, o que me falam a respeito dos Trypanosoma da vida, tão comuns em várias regiões do Brasil?
- Como será avaliado, a curto, médio e longo prazo, o efeito da vacinação na redução de casos humanos?
- Em cidades sem CCZ, quem / que órgãos serão os responsáveis pela vacinação?
- Em cidades / regiões ainda livres de LV... a vacinação também será compulsória?
- Como garantirão a adesão da população à campanha - considerando que as campanhas contra raiva têm cada vez menor adesão e também, falando em saúde pública em CG, as consequências nefastas do caso de raiva urbana no último mês de agosto?
- Serão integradas outras ações de controle?

O texto trata da "Política Nacional de Vacinação contra a Leishmaniose animal". Senhores!!!!! SENHORES! Por que não a "POLÍTICA NACIONAL DE CONTROLE DA LEISHMANIOSE HUMANA E ANIMAL"????? CONTROLE! Humanos E animais! Ações conjuntas, simples e complexas, para diminuir incidência E prevalência! SÓ VACINAR CACHORRO ainda é apagar fogo. Concordo e entendo que, no controle de leishmaniose, diversas esferas devem trabalhar juntas. Qual é o grande desafio em colocar a Vigilância Ambiental, Vigilância Epidemiológica, Secretaria de Agricultura e (quando houver) CCZs trabalhando juntos por uma saúde pública? Sabe qual o grande desafio? 
P O L Í T I C A.

Ah sim, mais uma dúvida. Como se trata de vacina de uso animal, a "brincadeira" é do MAPA (Min. Agricultura, Pecuária e Abastecimento). E há integração com o MS (Min. da Saúde) onde, mesmo?? 

Sabe o Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral (MS, 2006)? Leia e me fale a respeito de determinação de áreas vulneráveis. E me fale também a respeito se, hipoteticamente, você resolvesse pesquisar LV canina em uma cidade, a priori de ocorrência silenciosa e, ainda hipoteticamente, você envia para diagnóstico sorológico ao principal laboratório de saúde pública daquele estado, voltam resultados de 20 animais positivos e, na recoleta, não sobra sequer UM animal positivo? 1- o que significa casos positivos autóctones em uma área silenciosa?; 2- o que acontece com o município (quanto a VERBA repassada para saúde pública), que sai do status silencioso e passa a ter casos autóctones?; 3- serão todos falso-positivos porque, em área de baixíssima prevalência o valor preditivo do teste é comprometido?; 4- serão todos casos de reação cruzada com qualquer outra doença? 5- eram positivos para LV ou leishmaniose tegumentar?? Por isso reflito no quanto a política interfere nos "resultados" de uma pesquisa e no quanto ainda não temos ferramentas diagnósticas ótimas frente às leishmanioses e diferenciação destas.


Quando se trata de protozoários, o mistério é infinito. Eu ainda DUVIDO de uma vacina eficaz contra protozoários. Espero que eu "morda minha língua" o quanto antes, mas ainda não chegamos nem próximo de vacina realmente protetora contra protozoários. E se a vacina fosse tão über, por quê não desenvolver e disponibilizar para humanos - o foco da saúde pública? Ok, está em desenvolvimento... Mas e do vetor? Ninguém fala  / faz nada? Até Aedes aegypti já tem versão transgênica mutante...

Deixemos esclarecido: sou a favor de vacina, não sou xiita frente a eutanásia e tratamento de cães. Mas somente UMA medida NÃO resolve e NÃO controla a doença! Pensem! Integrem! Afinal, pra que serve a EPIDEMIOLOGIA???

Somebody save me!

Sobre outras publicações do Ministério da Saúde, acesse o site da Editora do MS aqui. 

quarta-feira, 12 de outubro de 2011

História revelada: após 660 anos, a Peste Negra foi sequenciada

Image of East Smithfield excavation copyright: 
Museum of London Archaeology; from
http://blogs.nature.com/news/2011/10/black_death.html
 Peste negra, "black death", peste bubônica... sinonímias para a doença causada pela boa (e velha) Yersinia pestis
 Utilizando a arcada dentária de quatro vítimas inglesas da peste negra, que assolou a Europa no século XIV (exterminou praticamente metade da população do oeste europeu em menos de 5 anos), cientistas conseguiram - pela primeira vez no mundo! - sequenciar 100% do genoma de uma bactéria tão "antiga" e degradada. 

E parece que, de quase 700 anos pra cá, relativamente pouco mudou no DNA... Diferente do que se pensava, a Yersinia da idade média era pouco mais virulenta que a atual, sugerindo que os maus hábitos de higiene da população e fatores ambientais, como frio e umidade, favoreceram a ocorrência da epidemia de peste.

Atualmente Y. pestis acomete em torno de 2000 pessoas por ano, principalmente no continente africano - graças aos melhores hábitos de higiene, condições sanitárias e os "queridos"antibióticos, a peste bubônica não mais nos assola. Há que se considerar que o ambiente também mudou muito de lá pra cá, não é?!

Maiores informações:

Artigo publicado na Nature:  A draft genome of Yersinia pestis from victims of the Black Death.  Kirsten I. Bos, Verena J. Schuenemann, G. Brian Golding, Hernán A. Burbano, Nicholas Waglechner, Brian K. Coombes, Joseph B. McPhee, Sharon N. DeWitte, Matthias Meyer, Sarah Schmedes, James Wood, David J. D. Earn, D. Ann Herring, Peter Bauer, Hendrik N. Poinar & Johannes Krause. Nature (2011) Published online

Nature News Blog: Black Death plague pit produces first ancient bacterial genome

Nicholas Wade - The New York Times (Science): Scientists Solve Puzzle Of Black Death’s DNA.

Anne Mcilroy - The Globe and Mail (Health News): Black Death bug hasn’t changed, but we have.

terça-feira, 20 de setembro de 2011

Influenza - 1918 e 2009

Hoje o LabSpaces traz dois artigos sobre as epidemias de Influenza - de 1918 e de 2009. Depois de quase um século, pesquisadores continuam investigando, em tecidos de pessoas infectadas naquela época, os fatores que contribuiram para a pandemia de 1918 e, o que diferiu principalmente daquele vírus em relação aos Influenza "convencionais" foi a capacidade de replicação tanto no trato respiratório superior como inferior, facilitando a infecção bacteriana secundária e a instalação da pneumonia e consequente morte das pessoas.

segunda-feira, 19 de setembro de 2011

Surto de febre aftosa no Paraguai - confirmado

Fontes em 19/09/2011: 
MSRecord: Confirmado foco de aftosa no Paraguai e MS bloqueia fronteira: Após um mês de suspeita, foco foi confirmado no último fim de semana (Juliene Katayama); 
Terra Economia - Reuters Online: Paraguai detecta foco de aftosa e suspende exportação de carne
Globo Economia - Valor Online: Paraguai confrma caso de febre aftosa na região central (Tarso Veloso)
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O surto de aftosa foi confirmado em San Pedro, região central do Paraguai, a aproximadamente 150Km da fronteira com o Brasil.  A propriedade-foco, com 800 animais, foi avaliada pelo Senacsa (Serviço Nacional de Qualidade e Saúde Animal do Paraguai) e 13 animais tinham a doença. A partir do foco, a OIE já foi notificada e foram suspensas todas as movimentaçãoes de animais para o Brasil, as exportações de carne e o status de zona livre de aftosa. Todos os animais serão abatidos. Muito trabalho a ser feito pelo pessoal da Zona de Alta Vigilância!!!! Não quero dar aula prática de Febre Aftosa, heim!!!!!!

Mapa editado de Paraguay.com. Por isso, Brazil com "z".

domingo, 4 de setembro de 2011

(Nova) Promissora vacina contra tuberculose - será o fim da BCG?

[Boa noticia editada de Veja.com, de 04/09/2011, seção Saúde. Leia na íntegra aqui.]

 Nova vacina contra tuberculose promete ser mais eficaz que a BCG 

Cientistas trocaram gene que permite à bactéria enganar o sistema imunológico

Pesquisadores da Faculdade de Medicina Albert Einstein, da Universidade Yeashiva, em Nova York, desenvolveram uma vacina contra a tuberculose que provou ser segura e eficaz em testes com animais. O mais interessante na pesquisa, publicada hoje na Nature online, é como a vacina foi criada. A pesquisa buscava determinar como a bactéria conseguia enganar o sistema imunológico e provocar a doença. Os testes iniciais foram feitos usando a bactéria Mycobacterium smegmatis. A M. smegmatis é usada nos testes por ser uma espécie próxima à M. tuberculosis e por ser letal em ratos, mas inofensiva aos humanos.

Os cientistas criaram uma versão da M. smegmatis sem um ‘pacote’ de genes chamado ESX-3, essencial para que a bactéria passe ilesa pelo sistema imunológico do hospedeiro. Injetada em altas concentrações nos camundongos, a bactéria sem o ESX-3 não conseguiu iludir as células de defesa do organismo, que acabaram com a infecção.

Mas o mesmo artifício não funcionou quando o ESX-3 foi retirado da M. tuberculosis. A saída encontrada foi tirar o pacote ESX-3 da M. tuberculosis e inserir na M. smegmatis. Essa M. smegmatis alterada novamente funcionou levando o corpo a combater a infecção. Oito semanas depois, os camundongos receberam altas doses de M. tuberculosis — capaz de matar tanto os animais como os seres humanos. Resultado: os  camundongos vacinados viveram por mais 135 dias, contra 54 dos não-vacinados. "Os animais que viveram por mais de 200 dias ficaram totalmente livres da bactéria, algo nunca visto antes", afirmou William Jacobs, autor do estudo e professor de microbiologia e imunologia e genética da Faculdade de Medicina Albert Einstein.

O próprio professor Jacobs, contudo, ressalta o fato de que apenas um a cada cinco camundongos apresentou uma boa resposta do sistema imunológico, indicando que a mais pesquisas precisam ser feitas antes da vacina ser considerada eficaz. "Não sabemos se ela vai funcionar em humanos, mas com certeza é um passo significativo na busca por uma vacina mais eficiente contra a tuberculose."

A vacina BCG (Bacille Calmette-Guérin) contra a tuberculose é usada em seres humanos desde 1921, mas sua eficácia sempre foi questionada. Ela é bastante eficiente em evitar a tuberculose miliar, que gera a meningite tuberculosa, uma inflamação das membranas que revestem a medula espinhal e o cérebro, mas pouco eficaz contra a forma pulmonar da doença. Por ano, segundo a OMS, a tuberculose mata 1,7 milhão de pessoas.

A pesquisa é importante por, além de tentar criar uma forma de imunizar as pessoas contra a tuberculose pulmonar, ter a possibilidade de ser a base de vacinas contra a hanseníase e outras formas agressivas de micobactérias.

Maiores informações sobre tuberculose (in english):

Nature News: Specials - Tuberculosis

Nature Medicine: Focus on Tuberculosis

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Campanha nacional de vacinação contra a raiva canina e felina

Notícia de Carolina Pimentel, veiculada no caderno Ciência e Tecnologia do Jornal do Brasil de 01/09/2011 (íntegra aqui).

Ministério importa 10 milhões de doses de vacina contra raiva para cães e gatos

O Ministério da Saúde importou 10 milhões de doses para vacinar cães e gatos contra a raiva. A compra emergencial foi feita para não atrasar a imunização dos animais nos estados com risco de registro da doença. De acordo com o Ministério, a pasta requisitou novos testes da vacina produzida pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), responsável por fornecer 32 milhões de doses. As análises foram solicitadas para evitar mortes e reações adversas nos animais como em 2010, quando foram notificados 637 casos. Do total, 41,6% foram mortes ou alergias graves, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na época, a vacina era fabricada pelo laboratório Bio-Vet, proibida de ser usada na campanha deste ano. 

Com os novos testes, o Tecpar atrasou o fornecimento das doses, que deveriam ter sido entregues às secretarias estaduais de Saúde a partir de maio.

O Ministério definiu estados com preferência para receber a vacina importada. Os primeiros foram o Ceará e o Maranhão, que registraram casos de raiva humana no ano passado e em 2011, respectivamente. Os demais são Pernambuco, o Pará, o Piauí, o Rio Grande do Norte, a Paraíba, a Bahia, Alagoas, Sergipe e Mato Grosso do Sul, por terem notificado casos de raiva canina nos últimos três anos.

Rio Grande do Sul e Santa Catarina são os únicos estados que ficam de fora da vacinação, pois não registram a circulação do vírus da raiva.

 

Mais sobre Raiva:

No blog: clique em Raiva

World Rabies Day: http://www.worldrabiesday.org/pt/home.html
Raiva Online: http://www.pasteur.saude.sp.gov.br/online/online.htm

Doenças negligenciadas e pespectiva de vacina: leishmaniose, dengue e malária

A amiga Adriana Guercio postou no Facebook o link desta notícia - que tomei emprestado para o blog. Segue a matéria de Renato Grandelle publicada no extra.globo.com em 30 - 31/08/2011 (link aqui).

Malária, dengue e leishmaniose terão vacinas em até dez anos

Esquecidas pela indústria farmacêutica, mas capazes de fazer milhões de vitimas mundo afora, doenças como malária, dengue e leishmaniose podem ganhar vacinas em até dez anos. Este é o objetivo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas, que encerra hoje um seminário de três dias no Rio.

Três anos atrás, o órgão, que reúne pesquisadores da Fiocruz, UFRJ, USP e UFMG, assumiu como objetivo o estudo de mecanismos de defesa contra as chamadas doenças negligenciadas. Os trabalhos desenvolvidos desde então seguem avançados — alguns já fazem testes em primatas, última etapa antes de levar os experimentos para testes em humanos. Mas, para prosseguir os estudos pelos próximos dois anos, será necessário um financiamento de R$ 12,5 milhões do Governo Federal. "Só agora, com o desenvolvimento dos países em que essas doenças são comuns, o interesse de algumas companhias farmacêuticas aumentou" - explica Ricardo Gazzinelli, pesquisador do Centro de Pesquisas René Rachou. "Foi constatado, enfim, que existe um mercado".

A leishmaniose é a doença com resultados mais avançados. Desde 2008 está disponível uma vacina para cães - contaminados pelo mosquito-palha, o mesmo que, logo depois, infecta também o homem.
"O cão é o reservatório dos parasitas" - explica Ana Paula Fernandes, bióloga da Faculdade de Farmácia da UFMG. "Conduzimos uma série de estudos para comparar os antígenos, as substâncias que desencadeiam a produção de anticorpos, e um deles se destacou na produção de uma resposta imune". Para uso em humanos, a vacina teria de passar por adaptações. E a mudança é urgente. Até a década de 90, quase todos os casos ocorriam no Nordeste. Hoje, aquela região responde por apenas metade das ocorrências. A doença avançou para estados onde nunca havia sido registrada antes, como Minas Gerais, Goiás e Espírito Santo. "Está praticamente fora de controle" - diz Ana Paula. "Essa expansão deve-se à migração das famílias, que levam cães infectados, e à urbanização e ao desmatamento, que fazem o mosquito-palha multiplicar-se com ainda mais facilidade".

A doença causa febre prolongada e provoca anemia, tosse, diarreia e perda de peso. Cerca de 20 mil pessoas são infectadas anualmente pela leishmaniose no Brasil. Um número muito inferior ao da dengue - que, na epidemia de 2008, deixou mais de 1 milhão de vítimas. O desafio é produzir uma vacina que proteja dos quatro sorotipos virais, todos já em circulação no país. Um dos rumos estudados é a imunização combinada de vacinas de DNA e um vírus quimérico - formado por pedaços de mais de um vírus. No caso, daqueles responsáveis pela febre amarela e pela dengue. "No Brasil, já temos tradição na produção de febre amarela" - lembra Myrna Bonaldo, bióloga e pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz. "Estamos observando, nos primatas, como cada sorotipo se prolifera e se um deles é dominante".

Na malária, a diversidade de “raças” também é um desafio para os pesquisadores. Ou seja, uma vacina contra o Plasmodium vivax, que infecta até 400 milhões de pessoas anualmente no mundo, teria de abranger todas as cepas de parasitas descritas. Quatro proteínas estão sendo desenvolvidas e foram apontadas como possíveis candidatas a esta vacina universal. A doença, letal em muitos casos, provoca febre alta, dores de cabeça e hemorragias.

Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas

O INCTV trabalha com seis grandes temas de pesquisa: desenvolvimento de vacinas contra dengue, influenza, doença de Chagas, leishmaniose, leptospirose, malária (Plamodium vivax) e toxoplasmose.