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terça-feira, 20 de dezembro de 2011

Interior de São Paulo em alerta: febre amarela

Notícia Via: Promed-Port <Promed-Port@promedmail.org>
Data: Terça-feira / Martes, 20 de dezembro / diciembre de 2011
Fonte: EPTV [19.12.2011]
<http://eptv.globo.com/araraquara/saude/NOT,3,7,384767,Estado+alerta+para+risco+de+febre+amarela+em+cidades+do+interior+Araraquara.aspx>

Estado alerta para risco de febre amarela em cidades do interior
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Araraquara, Franca e Ribeirão Preto estão entre as áreas prioritárias para a vacinação

A Secretaria de Estado da Saúde divulgou um alerta sobre a
necessidade da vacina contra a febre amarela em algumas regiões do interior de São Paulo. Araraquara está entre as áreas de risco. O aviso do governo estadual tem como foco as pessoas que viajarão de férias às localidades onde há possibilidade de infecção. Porém, quem vive nessas regiões deve ficar atento às orientações dos órgãos de saúde municipais.

Araraquara

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Apesar do alerta, não há motivo para pânico. Segundo Márcia Tereza Barbieri, responsável pelo grupo de Vigilância Epidemiológica de Araraquara, pois não há casos da doença registrados na região recentemente e, desde 2008, a vacinação é realizada regularmente em crianças a partir dos 9 meses de idade. Em Araraquara, a dose está disponível em todas as unidades de saúde, mas, devido ao curto prazo de validade, é aplicada uma ou duas vezes por semana. "O interessado deve ligar ou ir até o posto de saúde mais próximo de casa e verificar em quais dias da semana é aplicada a vacina", avisou Márcia. Quem se vacinou há menos de dez anos não precisa repetir a dose. No ano passado, foram aplicadas 775 vacinas por mês na cidade. Em 2009, a média mensal chegou a 818.

Outras cidades

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A vacina também é indicada para áreas ribeirinhas e de mata da região de Presidente Prudente, Presidente Venceslau, Araçatuba, Jales, São José do Rio Preto, Barretos, Franca, Ribeirão Preto, Bauru, Marília, Assis, Botucatu, Itapeva e parte da região de Sorocaba.

Também são áreas de risco Estados do Centro-Oeste e Norte, Distrito
Federal, Maranhão, Minas Gerais e parte de Bahia, Paraná, Piauí, Santa Catarina e Rio Grande do Sul.

Doença

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A febre amarela é uma doença infecciosa viral aguda, transmitida por mosquitos e que pode levar à morte. Os sintomas são febre alta, calafrios, vômitos, dores no corpo, pele e olhos amarelados, sangramentos, fezes com cor de borra de café e diminuição da urina.

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Comunicado por Promed-Port
promed-port@promedmail.org


[Diversas (e não tão recentes) são as discussões vigentes sobre
tornar a vacinação contra febre amarela universal no estado de São Paulo. A favor, estão os casos (incluindo surtos) de febre amarela silvestre ocorridos nos últimos anos no estado, o risco (sempre iminente) de introdução através de casos importados, as elevadas taxas de infestação pelo Aedes..., ou seja, a reurbanização da doença. Contra, sobretudo, o risco da ocorrência de casos de eventos adversos graves (doença viscerotrópica e neurotrópica) e, menos provável (?), a falta de um quantitativo suficiente a ser utilizado de imediato para a vacinação de toda a população.

Enquanto isso, deve-se manter (e incrementar) a vigilância
epidemiológica na busca de casos suspeitos (incluindo-se através da vigilância em síndromes febris hemorrágicas), vigilância de epizootias em primatas não-humanos, enfatizar a necessidade de vacinação a viajantes que se deslocam para áreas endêmicas ... e reduzir a infestação pelo vetor.

Segundo a série histórica (1990 a 2010) de casos de febre amarela no
Brasil, no período analisado foram notificados 687 casos confirmados em todo país; no ano de 2010, foram apenas 2 casos no Brasil.  No estado de São Paulo, houve 32 casos entre 1990 e 2010, sendo 28 apenas em 2009; em 2010 não houve casos confirmados.

Para ter acesso completo aos dados, acesse:

Série histórica, Brasil, 1990-2010:
<http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/tabela_1_fa_2010.pdf> 
Surto de febre amarela, estado de São Paulo:
<ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/ZOO/Boletim_FASP171209.pdf>.

Para ter acesso último informe técnico sobre as recomendações de
vacinação contra febre amarela elaborado pelo Centro de Vigilância Epidemiológica da Secretaria de Estado de Saúde de São Paulo, acesse:
<ftp://ftp.cve.saude.sp.gov.br/doc_tec/ZOO/fa250210_recomendacao.pdf>

Para ter acesso ao mapa que aponta as áreas para as quais há a
recomendação de vacinação, acesse:
<http://portal.saude.gov.br/portal/arquivos/pdf/mapa_acrv_asrv_2010_2011_final.pdf>.
- Mod.rna]

quinta-feira, 24 de novembro de 2011

Leishmaniose - vacina, tramitação do PL 1738/11 e Simpósio em CG

Acabei de postar sobre o PL. Acabei de ver, via @ClinicaVet (Revista Clínica Veterinária) o link para informações sobre a audiência pública realizada na última terça-feira sobre o Projeto.

Na página do deputado Geraldo Resente (acesse "Audiência mostra falta de consenso sobre vacina contra leishmaniose") aparece um pouco do que acabei de falar: onde está a integração MS-MAPA???  E olha os especialistas acendendo a fogueira de eutanásia e tratamento! E olha a guerra de egos dos Ministérios! E olha a política de saúde para onde vai...

Senhores... por favor. Tratem a doença como DOENÇA - ZOONOSE. A urbanização da leishmaniose visceral está aí, aqui, e cada dia mais acolá! O cachorro, considerado o principal reservatório da doença em área urbana, é o "bode expiatório" de uma briga entre trata-não trata, mata-não mata enquanto a população humana continua suscetível e ignorante frete à doença.

Falta bom senso e conhecimento na questão da leishmaniose. A população em geral entende vacina como "solução cabal". E quando o cão vacinado adquire a doença? Tem que haver muito esclarecimento!!! Vacina nunca é 100%, coleira nunca é 100%, eutanásia e tratamento também nunca são 100%. A taxa de sucesso de tratamento em humanos só é "boa" porque tem acompanhamento. E quando não há acompanhamento, acontece como em tuberculose e outras doenças de tratamento a longo prazo - DESISTÊNCIA e RESISTÊNCIA. Se para pessoas ocorre isso, imagine para animais - que até hoje são depositados na porta de clínicas veterinárias, HVs, CCZs e ONGs? Manter campanha antirrábica já está complicado; manter campanha de castração também já está complicado; que tal começar a campanha em prol da campanha de esclarecimento? População que não conhece, não faz! Tem que ter educação e ações integradas.

Só o MS não resolve. Só o MAPA não resolve. Têm que trabalhar juntos! A "Política de Vacinação" tem que se transformar na "Política de Controle e Prevenção"  - para humanos e animais. A centralização da saúde em questões específicas só gera custos e debates infinitos - e definitvamente não resolve. 

Hoje temos um excelente patamar em relação ao HIV/Aids graças a muita in$i$tência. Ensino na escola, propaganda na mídia, campanhas e programas de controle e prevenção... gastou-se muito para chegarmos nas boas novas atuais e no nível de conhecimento da população frente aos riscos. Que tal trabalhar assim frente à LV? Para nossa "tristeza", o exemplo urbano mais comum de doença veiculada por vetor é dengue. Que também tem um loooongo caminho de combate pela frente...

São muitas frentes a investir. Educação, vigilância ambiental e epidemiológica, pesquisa e divulgação de conhecimento sobre a doença, ações a campo, registro de produtos / medicamentos, controle de trânsito de animais, treinamento em saúde humana e animal, fatores culturais e socioeconômicos locais etc etc etc. Não dá tempo para guerra de egos. 

Se até o "mito" da toxoplasmose está, aos poucos, sendo esclarecido. Acredito profundamente que o da leishmaniose também será. E não se esqueçam: leishmaniose É doença mundialmente negligenciada!!!!

Em Campo Grande, em 26 e 27 de novembro, ocorrerá o II Simpósio Sul-Mato-Grossense de Leishmanioses. Vários desses temas sobre leishmaniose serão discutidos e - espero - que o bom senso impere. Ninguém tem que ser "Greenpeace" ou ser "Ateu" em Saúde Pública. Tem que ter bom senso.


Sobre o Simpósio: inscrições gratuitas: (67) 3331-1655; asspresidencia@crmvms.org.br

OUÇA!!!! Entrevista com Sibele Cação, Presidente do CRMV-MS, na rádio Transamérica Hits (via A Crítica de Campo Grande)

quarta-feira, 23 de novembro de 2011

Leishmaniose visceral e PL 1738/2011 - vacinação canina compulsória

Prezados!

Convido a todos à "saborosa" leitura do Projeto de Lei n.1738/2011 que tramita na Câmara dos Deputados sobre a vacinação compulsória de cães contra a leishmaniose, proposto pelo deputado e médico Geraldo Resende (PMDB / MS).

O texto pode ser acessado na íntegra (versão .pdf aqui) e o trâmite pode ser acompanhado diretamente na página do Projeto de Lei (aqui).

Recomendo que leia o Projeto e depois prossiga a leitura do post...

Estamos falando de uma zoonose ultra polêmica cujas ações de controle não têm servido de muita coisa.  Tenho muitas perguntas quanto ao PL e seus efeitos. Eu, particularmente, tenho muita "revolta" quanto à leishmaniose visceral, justamente pela falta de respostas e excesso de perguntas. É necessário pensar muito! É uma doença em que muitos agem mas poucos pensam. Ninguém divulga efeitos reais das ações de controle, isso me preocupa muito. Não será hora de trabalhar no bom e velho controle integrado? Cadê a tríade / cadeia epidemiológica, gente?! PENSEM! Chega de só "apagar fogo" nesse país. Na saúde - pública ou não - só se faz apagar incêndios. Precisamos de ações com início, meio e fim, totalmente planejadas, auditadas e avaliadas! Para montar um projeto de pesquisa a pessoa tem que pensar muito, delinear tudo e prever tudo - para que não haja furos. Por quê não usar esse bom modelo para "desenhar" a saúde pública no Brasil? Não me venham com as conversas de "academia é uma coisa, mundo real é outra". PENSAR é imprescindível! E colocar especialistas para brigar sobre tratamento de leishmaniose em cães definitivamente NÃO é a questão. Especialistas devem deliberar e propor planos inteiros e não apagar fogo ou defender pontos específicos. PENSEM! Não dói nada!

As dúvidas - totalmente pessoais:

- Em que pé estão os testes de vacina anti-Leish - já fizeram todas as etapas? Temos os dados completos da eficácia vacinal, efeitos colaterais, validação...???

- QUAL das vacinas será utilizada - melhor, que laboratório ganhará com essa?
- De onde vem a verba para a campanha?
- Será utilizado o protocolo de teste - sorologia - dos animais (claro, dependendo da vacina utilizada)?
- Em que testes podemos mesmo confiar?
- Quanto às reações cruzadas, o que me falam a respeito dos Trypanosoma da vida, tão comuns em várias regiões do Brasil?
- Como será avaliado, a curto, médio e longo prazo, o efeito da vacinação na redução de casos humanos?
- Em cidades sem CCZ, quem / que órgãos serão os responsáveis pela vacinação?
- Em cidades / regiões ainda livres de LV... a vacinação também será compulsória?
- Como garantirão a adesão da população à campanha - considerando que as campanhas contra raiva têm cada vez menor adesão e também, falando em saúde pública em CG, as consequências nefastas do caso de raiva urbana no último mês de agosto?
- Serão integradas outras ações de controle?

O texto trata da "Política Nacional de Vacinação contra a Leishmaniose animal". Senhores!!!!! SENHORES! Por que não a "POLÍTICA NACIONAL DE CONTROLE DA LEISHMANIOSE HUMANA E ANIMAL"????? CONTROLE! Humanos E animais! Ações conjuntas, simples e complexas, para diminuir incidência E prevalência! SÓ VACINAR CACHORRO ainda é apagar fogo. Concordo e entendo que, no controle de leishmaniose, diversas esferas devem trabalhar juntas. Qual é o grande desafio em colocar a Vigilância Ambiental, Vigilância Epidemiológica, Secretaria de Agricultura e (quando houver) CCZs trabalhando juntos por uma saúde pública? Sabe qual o grande desafio? 
P O L Í T I C A.

Ah sim, mais uma dúvida. Como se trata de vacina de uso animal, a "brincadeira" é do MAPA (Min. Agricultura, Pecuária e Abastecimento). E há integração com o MS (Min. da Saúde) onde, mesmo?? 

Sabe o Manual de Vigilância e Controle da Leishmaniose Visceral (MS, 2006)? Leia e me fale a respeito de determinação de áreas vulneráveis. E me fale também a respeito se, hipoteticamente, você resolvesse pesquisar LV canina em uma cidade, a priori de ocorrência silenciosa e, ainda hipoteticamente, você envia para diagnóstico sorológico ao principal laboratório de saúde pública daquele estado, voltam resultados de 20 animais positivos e, na recoleta, não sobra sequer UM animal positivo? 1- o que significa casos positivos autóctones em uma área silenciosa?; 2- o que acontece com o município (quanto a VERBA repassada para saúde pública), que sai do status silencioso e passa a ter casos autóctones?; 3- serão todos falso-positivos porque, em área de baixíssima prevalência o valor preditivo do teste é comprometido?; 4- serão todos casos de reação cruzada com qualquer outra doença? 5- eram positivos para LV ou leishmaniose tegumentar?? Por isso reflito no quanto a política interfere nos "resultados" de uma pesquisa e no quanto ainda não temos ferramentas diagnósticas ótimas frente às leishmanioses e diferenciação destas.


Quando se trata de protozoários, o mistério é infinito. Eu ainda DUVIDO de uma vacina eficaz contra protozoários. Espero que eu "morda minha língua" o quanto antes, mas ainda não chegamos nem próximo de vacina realmente protetora contra protozoários. E se a vacina fosse tão über, por quê não desenvolver e disponibilizar para humanos - o foco da saúde pública? Ok, está em desenvolvimento... Mas e do vetor? Ninguém fala  / faz nada? Até Aedes aegypti já tem versão transgênica mutante...

Deixemos esclarecido: sou a favor de vacina, não sou xiita frente a eutanásia e tratamento de cães. Mas somente UMA medida NÃO resolve e NÃO controla a doença! Pensem! Integrem! Afinal, pra que serve a EPIDEMIOLOGIA???

Somebody save me!

Sobre outras publicações do Ministério da Saúde, acesse o site da Editora do MS aqui. 

domingo, 4 de setembro de 2011

(Nova) Promissora vacina contra tuberculose - será o fim da BCG?

[Boa noticia editada de Veja.com, de 04/09/2011, seção Saúde. Leia na íntegra aqui.]

 Nova vacina contra tuberculose promete ser mais eficaz que a BCG 

Cientistas trocaram gene que permite à bactéria enganar o sistema imunológico

Pesquisadores da Faculdade de Medicina Albert Einstein, da Universidade Yeashiva, em Nova York, desenvolveram uma vacina contra a tuberculose que provou ser segura e eficaz em testes com animais. O mais interessante na pesquisa, publicada hoje na Nature online, é como a vacina foi criada. A pesquisa buscava determinar como a bactéria conseguia enganar o sistema imunológico e provocar a doença. Os testes iniciais foram feitos usando a bactéria Mycobacterium smegmatis. A M. smegmatis é usada nos testes por ser uma espécie próxima à M. tuberculosis e por ser letal em ratos, mas inofensiva aos humanos.

Os cientistas criaram uma versão da M. smegmatis sem um ‘pacote’ de genes chamado ESX-3, essencial para que a bactéria passe ilesa pelo sistema imunológico do hospedeiro. Injetada em altas concentrações nos camundongos, a bactéria sem o ESX-3 não conseguiu iludir as células de defesa do organismo, que acabaram com a infecção.

Mas o mesmo artifício não funcionou quando o ESX-3 foi retirado da M. tuberculosis. A saída encontrada foi tirar o pacote ESX-3 da M. tuberculosis e inserir na M. smegmatis. Essa M. smegmatis alterada novamente funcionou levando o corpo a combater a infecção. Oito semanas depois, os camundongos receberam altas doses de M. tuberculosis — capaz de matar tanto os animais como os seres humanos. Resultado: os  camundongos vacinados viveram por mais 135 dias, contra 54 dos não-vacinados. "Os animais que viveram por mais de 200 dias ficaram totalmente livres da bactéria, algo nunca visto antes", afirmou William Jacobs, autor do estudo e professor de microbiologia e imunologia e genética da Faculdade de Medicina Albert Einstein.

O próprio professor Jacobs, contudo, ressalta o fato de que apenas um a cada cinco camundongos apresentou uma boa resposta do sistema imunológico, indicando que a mais pesquisas precisam ser feitas antes da vacina ser considerada eficaz. "Não sabemos se ela vai funcionar em humanos, mas com certeza é um passo significativo na busca por uma vacina mais eficiente contra a tuberculose."

A vacina BCG (Bacille Calmette-Guérin) contra a tuberculose é usada em seres humanos desde 1921, mas sua eficácia sempre foi questionada. Ela é bastante eficiente em evitar a tuberculose miliar, que gera a meningite tuberculosa, uma inflamação das membranas que revestem a medula espinhal e o cérebro, mas pouco eficaz contra a forma pulmonar da doença. Por ano, segundo a OMS, a tuberculose mata 1,7 milhão de pessoas.

A pesquisa é importante por, além de tentar criar uma forma de imunizar as pessoas contra a tuberculose pulmonar, ter a possibilidade de ser a base de vacinas contra a hanseníase e outras formas agressivas de micobactérias.

Maiores informações sobre tuberculose (in english):

Nature News: Specials - Tuberculosis

Nature Medicine: Focus on Tuberculosis

quinta-feira, 1 de setembro de 2011

Campanha nacional de vacinação contra a raiva canina e felina

Notícia de Carolina Pimentel, veiculada no caderno Ciência e Tecnologia do Jornal do Brasil de 01/09/2011 (íntegra aqui).

Ministério importa 10 milhões de doses de vacina contra raiva para cães e gatos

O Ministério da Saúde importou 10 milhões de doses para vacinar cães e gatos contra a raiva. A compra emergencial foi feita para não atrasar a imunização dos animais nos estados com risco de registro da doença. De acordo com o Ministério, a pasta requisitou novos testes da vacina produzida pelo Instituto de Tecnologia do Paraná (Tecpar), responsável por fornecer 32 milhões de doses. As análises foram solicitadas para evitar mortes e reações adversas nos animais como em 2010, quando foram notificados 637 casos. Do total, 41,6% foram mortes ou alergias graves, principalmente em São Paulo e no Rio de Janeiro. Na época, a vacina era fabricada pelo laboratório Bio-Vet, proibida de ser usada na campanha deste ano. 

Com os novos testes, o Tecpar atrasou o fornecimento das doses, que deveriam ter sido entregues às secretarias estaduais de Saúde a partir de maio.

O Ministério definiu estados com preferência para receber a vacina importada. Os primeiros foram o Ceará e o Maranhão, que registraram casos de raiva humana no ano passado e em 2011, respectivamente. Os demais são Pernambuco, o Pará, o Piauí, o Rio Grande do Norte, a Paraíba, a Bahia, Alagoas, Sergipe e Mato Grosso do Sul, por terem notificado casos de raiva canina nos últimos três anos.

Rio Grande do Sul e Santa Catarina são os únicos estados que ficam de fora da vacinação, pois não registram a circulação do vírus da raiva.

 

Mais sobre Raiva:

No blog: clique em Raiva

World Rabies Day: http://www.worldrabiesday.org/pt/home.html
Raiva Online: http://www.pasteur.saude.sp.gov.br/online/online.htm

Doenças negligenciadas e pespectiva de vacina: leishmaniose, dengue e malária

A amiga Adriana Guercio postou no Facebook o link desta notícia - que tomei emprestado para o blog. Segue a matéria de Renato Grandelle publicada no extra.globo.com em 30 - 31/08/2011 (link aqui).

Malária, dengue e leishmaniose terão vacinas em até dez anos

Esquecidas pela indústria farmacêutica, mas capazes de fazer milhões de vitimas mundo afora, doenças como malária, dengue e leishmaniose podem ganhar vacinas em até dez anos. Este é o objetivo do Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas, que encerra hoje um seminário de três dias no Rio.

Três anos atrás, o órgão, que reúne pesquisadores da Fiocruz, UFRJ, USP e UFMG, assumiu como objetivo o estudo de mecanismos de defesa contra as chamadas doenças negligenciadas. Os trabalhos desenvolvidos desde então seguem avançados — alguns já fazem testes em primatas, última etapa antes de levar os experimentos para testes em humanos. Mas, para prosseguir os estudos pelos próximos dois anos, será necessário um financiamento de R$ 12,5 milhões do Governo Federal. "Só agora, com o desenvolvimento dos países em que essas doenças são comuns, o interesse de algumas companhias farmacêuticas aumentou" - explica Ricardo Gazzinelli, pesquisador do Centro de Pesquisas René Rachou. "Foi constatado, enfim, que existe um mercado".

A leishmaniose é a doença com resultados mais avançados. Desde 2008 está disponível uma vacina para cães - contaminados pelo mosquito-palha, o mesmo que, logo depois, infecta também o homem.
"O cão é o reservatório dos parasitas" - explica Ana Paula Fernandes, bióloga da Faculdade de Farmácia da UFMG. "Conduzimos uma série de estudos para comparar os antígenos, as substâncias que desencadeiam a produção de anticorpos, e um deles se destacou na produção de uma resposta imune". Para uso em humanos, a vacina teria de passar por adaptações. E a mudança é urgente. Até a década de 90, quase todos os casos ocorriam no Nordeste. Hoje, aquela região responde por apenas metade das ocorrências. A doença avançou para estados onde nunca havia sido registrada antes, como Minas Gerais, Goiás e Espírito Santo. "Está praticamente fora de controle" - diz Ana Paula. "Essa expansão deve-se à migração das famílias, que levam cães infectados, e à urbanização e ao desmatamento, que fazem o mosquito-palha multiplicar-se com ainda mais facilidade".

A doença causa febre prolongada e provoca anemia, tosse, diarreia e perda de peso. Cerca de 20 mil pessoas são infectadas anualmente pela leishmaniose no Brasil. Um número muito inferior ao da dengue - que, na epidemia de 2008, deixou mais de 1 milhão de vítimas. O desafio é produzir uma vacina que proteja dos quatro sorotipos virais, todos já em circulação no país. Um dos rumos estudados é a imunização combinada de vacinas de DNA e um vírus quimérico - formado por pedaços de mais de um vírus. No caso, daqueles responsáveis pela febre amarela e pela dengue. "No Brasil, já temos tradição na produção de febre amarela" - lembra Myrna Bonaldo, bióloga e pesquisadora do Instituto Oswaldo Cruz. "Estamos observando, nos primatas, como cada sorotipo se prolifera e se um deles é dominante".

Na malária, a diversidade de “raças” também é um desafio para os pesquisadores. Ou seja, uma vacina contra o Plasmodium vivax, que infecta até 400 milhões de pessoas anualmente no mundo, teria de abranger todas as cepas de parasitas descritas. Quatro proteínas estão sendo desenvolvidas e foram apontadas como possíveis candidatas a esta vacina universal. A doença, letal em muitos casos, provoca febre alta, dores de cabeça e hemorragias.

Instituto Nacional de Ciência e Tecnologia de Vacinas

O INCTV trabalha com seis grandes temas de pesquisa: desenvolvimento de vacinas contra dengue, influenza, doença de Chagas, leishmaniose, leptospirose, malária (Plamodium vivax) e toxoplasmose.

quarta-feira, 17 de agosto de 2011

Surto de raiva em CG (II)

[Mais sobre o surto de raiva em Campo Grande. Até o momento não tenho notícias sobre o tipo viral circulante...  Então, aguardemos!

Adaptado das fontes: MS Record (Juliene Katayama em 17/08) e  MS Notícias (em 13/08)]

Após caso de raiva canina, CCZ deve receber mais 4 mil doses de vacina na próxima segunda: Medida emergencial foi tomada após Centro conseguir vacinar 1,3 mil animais

Na próxima segunda-feira (22/08) o Centro de Controle de Zoonose (CCZ) da Capital deve receber 4 mil doses de vacina anti-rábica. Medida emergencial foi tomada depois que Centro detectou um caso de raiva canina, no último dia 5 e conseguiu vacinar 1,3 mil animais, menos da metade da expectativa.
A nova demanda de vacina foi anunciada pela veterinária do CCZ, Ana Paula Antunes Nogueira, nesta quarta-feira (17).

Apesar da vacina ser enviada pelo Ministério da Saúde para atender o caso de raiva encontrado na região norte de Campo Grande, em outubro haverá campanha de vacinação. Cerca de mil doses já haviam sido enviadas para vacinar cães e gatos nos os bairros Jardim Anache, Nova Lima, Columbia e Vida Nova, porém a quantidade foi insuficiente para atender a demanda.

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[Sobre a eutanásia de contactantes em situações de emergência em saúde pública]

Decat auxilia C.C.Z. a resgatar cão com suspeita de ter raiva: Em Campo Grande (MS), Policiais Civis da DECAT - Delegacia Especializada de Repressão a Crimes Ambientais e Proteção ao Turista, em conjunto com funcionários do C.C.Z. - Centro de Controle de Zoonoses, resgataram um cão contactante. É considerado contactante o animal que teve contato com outro cujo resultado deu positivo para raiva.

Para apreensão do animal e devido recolhimento ao C.C.Z. foi necessária representação da autoridade policial perante o Poder Judiciário, vez que o responsável pelo animal se negou em entregá-lo. O Ministério da Saúde orienta o Poder Público que determinados cães devem ser recolhidos e mantidos em quarentena até exames finais que comprovem ou afastem a condição de infectado [foram eutanasiados ou submetidos a observação??].

Importante: O responsável pelo cão que se negar a entregá-lo, diante de determinação de recolhimento por parte do C.C.Z., responderá criminalmente por "Infringir determinação do Poder Público, destinada a impedir a introdução ou a propagação de doença contagiosa"
(Infração de Medida Sanitária Preventiva) - artigo 268 do Código Penal Brasileiro, com pena prevista de detenção de 01 mês a 01 ano e multa. Parágrafo único - A pena é aumentada de um terço, se o agente é funcionário da saúde pública ou exerce a profissão de médico, farmacêutico, dentista ou enfermeiro.

domingo, 31 de julho de 2011

Vacina (definitiva) contra gripe: os cientistas estão quase lá!

O artigo "A Neutralizing Antibody Selected from Plasma Cells That Binds to Group 1 and Group 2 Influenza A Hemagglutinins", publicado na Science, em 28 de julho, de uma equipe de pesquisadores britânicos e suiços, traz a grande luz no fim do túnel da prevenção do vírus da gripe. 

segunda-feira, 11 de julho de 2011

Illsville: aprenda sobre controle de doenças jogando online

Passeando pelo blog Sanidade Animal encontrei o link para o site History of Vaccines, do College of Physicians of Philadelphia. O site é muito legal e aborda, dentro da temática das vacinas, diversos artigos sobre reações vacinais, aspectos imunológicos, história, galerias com fotos e vídeos, além de ter uma excelente apresentação em Flash trazendo a "linha do tempo" das vacinas / doenças. Vale ressaltar que o site traz muitas informações com base nas pesquisas americanas, mas não deixa a desejar quanto aos grande pesquisadores mundiais (Pasteur / Koch / Jenner et al.).

Outra coisa muito divertida que eles trazem é o jogo online para combater doenças: Illsville!!
Se tiver conhecimentos básicos de jogo, epidemiologia e de doenças, com certeza você chegará à "idade moderna" com sua população viva e vacinada!!

No link "Activities" as atividades também em Flash trazem explicações super animadas dos Postulados de Koch, imunidade de rebalho, tipos de vacina, como são produzidas as vacinas... muito educativo e bem bolado.

In English.

Divirtam-se!

=D

domingo, 12 de junho de 2011

Vacina contra Dengue em Teste!

Notícia - na íntegra - publicada pelo Diário do Pará em 24/05/2011 (acesse aqui). 
Outras informações podem ser acessadas aqui (Blog Sanidade Animal) e aqui (Reuters América Latina).

A comunidade científica trabalha com a perspectiva de que em 2014 já estará disponível no mercado uma vacina com alto grau de eficácia para prevenção da dengue. Desenvolvido pelo laboratório francês Sanofi Pasteur, o produto já está na terceira e última fase de testes. A previsão dos pesquisadores é de que a vacina será capaz de oferecer resposta imunológica para os quatro diferentes tipos de vírus causadores da dengue hoje conhecidos.

A informação foi dada ontem pelo chefe do Departamento de Arbovirologia e Febres Hemorrágicas do Instituto Evandro Chagas (IEC), Pedro Vasconcelos, durante o IV Simpósio Internacional sobre Arboviroses dos Trópicos e Febres Hemorrágicas Virais (FHV). O laboratório do IEC é o centro de referência nacional em arboviroses e, no plano internacional, é um dos centros colaboradores das organizações Mundial e Pan-americana de Saúde para referência e pesquisa nesse ramo da ciência médica.

De acordo com o pesquisador, a vacina foi administrada no seu estágio inicial, ou fase pré-clínica, em modelos animais, especialmente macacos e camundongos. Depois, em sequência, foi testada com sucesso em duas etapas, a primeira envolvendo um grupo muito pequeno, cerca de 50 pessoas, e a segunda com um número entre mil e dois mil voluntários.

A fase atual, segundo ele, deverá se estender até 2013 e envolve aproximadamente 40 mil pessoas. Os testes, acompanhados por profissionais vinculados a universidades e centros de pesquisa, são realizados no Brasil, México, Porto Rico, Nicarágua, Peru e Equador, no continente americano, e em cinco países asiáticos – Tailândia, Indonésia, Malásia, Vietnã e Cingapura. Pedro Vasconcelos, que até 2009 integrou o comitê assessor para avaliação da vacina contra dengue da Organização Mundial de Saúde, disse que o IEC não tem participado diretamente dos testes clínicos, mas colabora com o projeto oferecendo metodologia própria para testes de diagnóstico para avaliação.

De acordo com Pedro Vasconcelos, as equipes de pesquisadores envolvidas no projeto, no Brasil e no exterior, terão um prazo de dois anos para se certificar, até 2013, sobre o grau de eficácia da vacina. Isso se dará, conforme frisou, através do acompanhamento das pessoas vacinadas. Como elas estão em áreas de transmissão do vírus, bastará verificar se desenvolverão ou não a doença. Os cientistas também vão observar e avaliar, nesse período, a quantidade de anticorpos protetores mantida no organismo pelas pessoas submetidas aos testes com o novo produto.

HEMORRÁGICA

O chefe do laboratório de virologia do Instituto Evandro Chagas disse que muito raramente a dengue clássica evolui para óbito, sendo por isso considerada uma doença com baixíssimo índice de letalidade. O problema se agrava, porém, conforme frisou, quando a dengue evolui para a forma hemorrágica. Nestes casos, o índice de mortalidade fica entre 5% e 10%.

O pesquisador reconheceu que a ciência não tem até hoje conhecimento pleno sobre os mecanismos que levam à evolução da dengue para a sua forma mais grave. O que existe, segundo ele, são teorias e hipóteses científicas, algumas até polêmicas. Alguns pesquisadores, por exemplo, admitem a hipótese de que o problema possa ter alguma vinculação com o aparecimento de vírus mais patogênicos, enquanto que na maioria dos casos eles tenderiam a ser menos agressivos. Outra teoria com boa aceitação entre pesquisadores sugere que as infecções sequenciais tenderiam a deixar o indivíduo mais suscetível à forma mais grave da doença. (Diário do Pará)

sábado, 19 de fevereiro de 2011

Aftosa: Extinção da zona tampão da Bahia é reconhecida pela OIE

Do site do CFMV

A extinção da Zona Tampão da Bahia, já reconhecida em todo o território nacional, acaba agora de ser reconhecida internacionalmente. A Comissão Científica da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE) aprovou relatório da Agência de Defesa Agropecuária da Bahia (Adab), encaminhado pelo Ministério da Agricultura, Pecuária e Abastecimento (MAPA) sobre a extinção da Zona Tampão e criação da Zona de Proteção no Estado. Com isso, a Bahia passa a ser mundialmente reconhecida como zona livre de aftosa com vacinação, colocando toda a pecuária baiana no mesmo status sanitário, e sem restrições quanto ao comércio e trânsito de animais.

O reconhecimento definitivo da criação da Zona de Proteção deve ocorrer em maio deste ano [2011], após a realização da Plenária Anual da OIE, organizada para discutir os assuntos relacionados à sanidade animal em todo o mundo. "Este é mais um momento para comemorar por se tratar de mais uma etapa conquistada pelo Governo do Estado que tem o objetivo maior de tornar a Bahia livre de aftosa sem vacinação até 2014", ressaltou o secretário de Agricultura do Estado, engenheiro agrônomo Eduardo Salles. "Agora projeta-se um fortalecimento do Programa Nacional de Erradicação e Prevenção da Febre Aftosa e um novo cenário para a pecuária nacional, tornando-a mais igualitária, competitiva e com possibilidades reais de inclusão social", salientou.

A zona tampão foi oficialmente extinta na Bahia após a publicação da Instrução Normativa nº 45 do Diário Oficial da União (DOU), de 28 de dezembro pelo MAPA. A partir dela, cerca de 10 mil criadores, com um rebanho de aproximadamente 255 mil cabeças, passaram a integrar a comercialização e o trânsito de animais em todo o Estado.
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Fonte: SEAGRI/ Agrosoft




terça-feira, 25 de janeiro de 2011

Nova vacina contra tuberculose (M. tuberculosis)

Nova vacina contra tuberculose (M. tuberculosis) promove proteção mais duradoura e eficiente, de acordo com estudo publicado* na Nature Medicine online de 23 de janeiro. Os pesquisadores sintetizaram uma vacina de três componentes - duas proteínas que aumentam a eficiência da BCG (Bacillus Calmette-Guérin, vacina usada atualmente em humanos) e uma proteína produzida por camundongos. A vacina, conhecida como H56, foi aplicada em camundongos previamente imunizados com a BCG. Após seis semanas, foi realizado o desafio e provada a eficiência da vacina. Agora a vacina será utilizada em testes clínicos.

Mais detalhes:


* Claus Aagaard, Truc Hoang, Jes Dietrich, Pere-Joan Cardona, Angelo Izzo, Gregory Dolganov, Gary K Schoolnik, Joseph P Cassidy, Rolf Billeskov, Peter Andersen. A multistage tuberculosis vaccine that confers efficient protection before and after exposure. Nature Medicine, 2011; DOI: 10.1038/nm.2285